Falimentos na política

O ano eleitoral evidencia os muitos falimentos da política. Embora esse campo também reúna pessoas sérias e comprometidas, cresce o descrédito em relação à política no Brasil, um campo cada vez mais distante de seu verdadeiro sentido filosófico e antropológico: instrumento indispensável para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Quando a política é desvalorizada, aumentam os prejuízos sociais. Especialmente os cristãos são chamados a vivê-la como expressão nobre da caridade e do compromisso com o próximo.
A indiferença política favorece interesses partidários e oligárquicos, permitindo a instrumentalização da máquina pública em benefício dos mais privilegiados, muitas vezes à custa do bem comum, dos pobres e excluídos. Sem participação cidadã qualificada, diminuem as possibilidades de surgirem lideranças com envergadura moral, competência e compromisso social. Em vez disso, prevalecem polarizações, idolatrias políticas, populismos e disputas marcadas por interesses particulares.
Esse estreitamento da visão política impede novas formas de exercício do poder, capazes de promover os necessários consertos sociais e garantir desenvolvimento integral. Consolida-se, assim, uma cultura guiada por interesses meramente econômicos, que enfraquece a consciência coletiva e aprofunda desigualdades.
Os falimentos na política comprometem a representação pública e obscurecem princípios morais fundamentais. Por isso, torna-se urgente investir na força ética das autoridades, exigindo compromisso verdadeiro com a dignidade humana e a justiça social. Reconhecer esses falimentos é passo necessário para renovar a consciência cidadã, formar novas lideranças e construir uma sociedade mais justa, fraterna e comprometida com o bem de todos.
O Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e publica semanalmente aos sábados no Portal Itatiaia.



