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Itatiaia

Uma questão de infraestrutura

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Muitas rodovias em Minas Gerais têm pistas simples e são malcuidadas
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Na última segunda-feira (23), a Itatiaia promoveu o evento Eloos Cidade e Infraestrutura no qual foram debatidos vários temas interessantes para termos cidades inteligentes.

O debate mencionou muito sobre as concessões de rodovias, assunto fundamental para interligar uma cidade à outra. Infelizmente em Minas Gerais temos as piores estradas do país. Ainda estamos no modelo arcaico de uma pista apenas, ou quando muito uma pista dupla movimentada e malcuidada.

Nosso estado merece toda atenção. Um estado situado numa posição privilegiada da Região Sudeste e tão sofrido. Temos um território grande, com uma importância econômica enorme e a uma péssima manutenção das estradas.

Somos um hub logístico natural ligando o sul ao norte do país. Por isso, temos um imenso trânsito, com muitas carretas e uma vergonhosa de novas estradas. A BR-381, ganhou o apelido de rodovia da morte, que péssimo!! É um sinômino de atraso estrutural, há quanto tempo se fala na melhoria dessa estrada?

A BR-262 era para ser uma importante rodovia, pois liga o Espírito Santo com Minas e vai até o Centro-Oeste, levando minério, agro, indústria e abastecimento. Era para ter uma boa segurança e o que encontramos?? Uma estrada horrível, com muitos caminhões pesados, traçado sinuoso em áreas de serra com poucos pontos de ultrapassagem, propiciando um alto números de acidentes com vítimas fatais.

O alto índice de caminhões nas estradas ocasiona um desgaste acelerado no asfalto. Isso sempre gera uma manutenção, mas nunca uma boa solução.

A BR-135 que liga o centro do estado com o norte de Minas, agora depois do pedágio, melhorou muito, com um pouco mais de cuidado, com asfalto novo. Mas, em alguns trechos ao invés de termos pista dupla nos dois lados, temos uma pista dupla e do outro lado uma só pista.

Viajando pelo Brasil vemos no Ceará estradas com três pistas. No sul do país com quatro pistas dos dois lados. Em São Paulo nem se fala, estradas grandes, bem cuidadas e com muitas pistas, com um trânsito que flui.

Nos idos dos anos 1990, na divisa de Minas para a Bahia havia uma diferença, ao sairmos de boas estradas em Minas para entrarmos em péssimas estradas baianas. Hoje a história mudou. E ficamos com as piores.

Em termos de infraestrutura mineira tem-se o básico que não fecha. As estradas não seriam apenas asfalto, falta uma drenagem eficiente, sinalização adequada, acostamento funcional e com segurança, manutenção contínua e anão apenas “operação tapa buracos”.

Esse atraso das nossas estradas geram um impacto para economia como o frete ser caro, perda de carga, atraso logístico e o aumento no preço final da mercadoria para o consumidor.

Minas Gerais ainda se encontra no século passado e não se modernizou, depende de caminhão para tudo e os problemas são resolvidos com remendos.

Está na hora de mudar isso. Precisa de mais compromissos, mais planejamentos de longo prazo e duplicação antes de um colapso. O que já acontece na BR-140, que liga Belo Horizonte a Sete Lagoas, estrada sempre cheia, esburacada, a pista dupla já não comporta mais tanto trânsito que agora ainda vem com as motos.

Temos apenas duas escolhas: ou se encara a infraestrutura como uma prioridade estratégica, ou se aceita, às vezes pagando até com a vida, o custo de atraso permanente.

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Cristiana Nepomuceno é bióloga, advogada, pós-graduada em Gestão Pública, mestre em Direito Ambiental. É autora e organizadora de livros e artigos.