Flávio, Zema e Caiado celebram a paz contra a esquerda. Será duradoura?
Os ex-governadores de Minas e de Goiás seriam hoje mais competitivos do que Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno contra Lula, revela a mais recente pesquisa Real Big Data

Os três pré-candidatos à Presidência da República do campo da direita bolsonarista tentaram passar uma mensagem de união contra a esquerda nesta terça-feira, durante a 21.ª edição da Megaleite, no Parque de Exposições da Gameleira. Mas eles concorrem por uma posição no segundo turno contra Lula.
Embora, em primeiro turno, Flávio Bolsonaro siga favorito para alcançar o segundo e enfrentar Lula, nova pesquisa Real Big Data divulgada nesta semana apontou que Caiado e Zema estariam hoje mais competitivos do que Flávio Bolsonaro numa situação de segundo turno contra Lula. A pesquisa apontou para uma situação de empate técnico de Caiado e Zema em relação a Lula em duas simulações de segundo turno.
Ao mesmo tempo, na simulação entre Lula e Flávio, o presidente manteve vantagem sobre o senador. Os novos dados fortaleceram Zema e Caiado na corrida, que têm clareza de que o maior problema político de ambos é superar, no primeiro turno, a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O reencontro em Minas entre Zema e Flávio Bolsonaro aconteceu em Belo Horizonte, primeiro na abertura do ciclo agro do projeto Eloos Itatiaia nesta segunda-feira (1º) e, depois, na Megaleite, nesta terça (2). Foi o primeiro, depois de Zema ter feito duras críticas a Flávio, por causa de seu relacionamento com Daniel Vorcaro, revelado em áudios em que Flávio Bolsonaro cobrou dinheiro do ex-banqueiro para financiar um filme que irá divulgar a vida do pai e ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).
Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro também entraram na conversa, disparando contra Zema pelas redes sociais. Flávio Bolsonaro deu sinais de que virou a página. Mas os bolsonaristas de viés mais raiz ainda não digeriram as palavras de Zema.
A duração da paz no campo da direita bolsonarista e da direita que a orbita vai depender de como vão evoluir as três campanhas à presidência da República. Flávio Bolsonaro está de volta ao centro de uma nova polêmica, com o anúncio de novo tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, dias após a visita dele à Casa Branca. Lula culpa os Bolsonaros. E Flávio culpa Lula. Zema e Caiado chegaram a cogitar a convergência das candidaturas em primeiro turno, neste momento descartada. As direções nacionais do PSD e do Novo também têm o propósito de fortalecer as chapas de deputados federais com essas candidaturas ao Palácio do Planalto.
Por isso, os dois partidos apostam na candidatura própria. No PSD, que lançou Caiado em prejuízo ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), houve reação da legenda diante da hipótese de Caiado vir a compor como vice de Romeu Zema. O PSD anunciou que estuda Gilberto Kassab, presidente nacional, como vice em “chapa pura”. Também por seu turno, Romeu Zema descartou, neste momento, a união com Ronaldo Caiado reiterando que manterá a sua candidatura ao Planalto.
Zema e Caiado acompanham com lupa cada passo de Flávio Bolsonaro. Têm diante de si o desafio: superar Flávio Bolsonaro no primeiro turno, sem rachaduras que inviabilizem uma união no segundo.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora