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Justiça marca nova audiência e julgamento do bombeiro militar que matou policial penal em BH

Na primeira audiência, na sexta (14), foram ouvidas 8 testemunhas de acusação e 5 de defesa; Naire Assis Ribeiro, de 61 anos, permanecerá preso

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais marcou uma nova data para audiência e julgamento do bombeiro militar reformado que matou um policial penal dentro de um bar em Santa Tereza, na região leste de BH. Naire Assis Ribeiro, de 61 anos, réu pelo assassinato de Wallysson Alves dos Santos Guedes, permanecerá preso.

A audiência de instrução na sexta-feira (14) ouviu oito testemunhas de acusação e cinco de defesa, entre amigos e vizinho do acusado. A defesa de Naire insistiu em ouvir mais cinco testemunhas que não estavam presentes. Uma delas, de acordo com a defesa a mais importante, apresentou atestado médico justificando a sua ausência.

Para as demais, que não foram encontradas nos endereços fornecidos, o juiz determinou que a defesa informe o novo endereço para que sejam intimadas e designou nova data, no dia 16 de julho às 13h30, para a audiência em continuação. O réu, que acompanhou a audiência virtualmente, do presídio, permanecerá preso.

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Família da vítima

Um dos ouvidos nesta primeira etapa do julgamento foi o filho de Wallysson, que presenciou o crime.

‘Eu espero principalmente justiça. Qualquer um que tenha o mínimo de senso de humanidade repudiaria essa situação, ainda mais por se tratar de um bombeiro militar, que fez um juramento para salvar vida e tirou a do meu pai’, disse Guilherme Alves dos Santos, filho do policial penal.

O jovem estava com o pai no bar quando o crime aconteceu e relatou à Itatiaia que a abordagem de Naire foi truculenta.

‘Ele abordou meu pai perguntando porque ele estava armado, foi arrogante. Meu pai mostrou a carteira funcional e ele fez um joia com a mão, em tom de deboche. Em seguida ele saiu, voltou de moto e matou meu pai dentro do bar. Não teve nenhuma discussão’, relatou Guilherme.

Na porta do Fórum Lafayette, a esposa de Wallysson estava acompanhada da família com faixas e cartazes que pediam por justiça.

O advogado da família da vítima, Rodrigo Nunes, afirma que a ligação de Naire ao 190 é a principal prova da motivação do crime. ‘Em nenhum momento Naire fala sobre Wallysson estar armado, ele estava incomodado por ele ser policial negro’, completa.

Defesa do acusado

Após a primeira audiência nesta sexta (14), o advogado de Naire, Audrey Silveira, afirmou à Itatiaia que vai provar que os fatos narrados na denúncia não são verdadeiros na próxima data.

‘Hoje encerrou-se as testemunhas de acusação e não foi possível trazer aos autos nenhuma testemunha que afirma ter visto que o Naire tenha deferido os tiros quanto à acusação de racismo ao que me parece que foi absolutamente rechaçada. Perguntado pela atendente do 190, como era a pessoa para descrevê-la, ele [Naire] disse que tinha um traço de uma pessoa negra e foi só isso. Não houve discussão por conta de raça ou cor e de forma nenhuma qualquer preconceito que seja a motivação do crime, isso ao que me pareceu ficou bastante comprovado hoje. Agora vamos para a próxima audiência e esperamos ao final que resolvemos isso da melhor maneira’.

A defesa também acrescentou: ‘O Naire é uma pessoa negra e é casado com uma negra há 40 anos, o que no meu sentir não me parece que uma pessoa que haja de forma preconceituosa e se case com uma pessoa negra’.

Relembre o caso

O crime foi registrado em um bar na rua Tenente Freitas no dia 26 de fevereiro deste ano. Testemunhas contaram que o policial e o bombeiro estavam no mesmo bar e que, em determinado momento, o bombeiro Naire questionou o policial penal sobre a profissão. Naire duvidou da informação e teria instigado a uma discussão.

Segundo o filho da vítima, Wallysson não respondeu às acusações de Naire. O bombeiro teria voltado em casa para buscar uma arma e, em seguida, retornou ao bar e atirou na vítima.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e encontrou a vítima sangrando muito e ainda respirando. O policial penal foi socorrido para o Hospital João XXIII, passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos. O bombeiro foi preso em flagrante na garagem de casa enquanto manobrava duas motos e um jipe.

*Sob supervisão de Enzo Menezes


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Giullia Gurgel é estudante de jornalismo e estagiária da Itatiaia.
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