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Taxa de R$ 2,2 mil para obras em cova no cemitério da Saudade, em BH, revolta contribuinte: ‘Absurdo’

Cobrança de taxa surpreende cidadão na hora de sepultar o ente querido

O taxista Jadir Souza da Silva, de 69, levou um susto ao procurar a administração do cemitério da Saudade, na região Leste de Belo Horizonte, para enterrar a esposa de um amigo no jazigo da família dele. Isso porque, além da taxa de exumação, foi informado que teria de pagar mais de R$ 2,2 mil, à vista, para demolição e construção de uma nova cova (ou gaveta). Caso contrário, o enterro é feito em cova rasa, de terra.

O taxista explica que precisou pagar R$ 959,25 para demolição do jazigo, R$ 1.301,50 para construção de carneiro (cova ou gaveta), além de R$ 878 para exumação de restos mortais. Ou seja, para sepultar um ente querido no jazigo no cemitério da Saudade o contribuinte pode ter que desembolsar mais de R$ 3 mil, sendo R$ 2,2 mil somente para obras na cova. E não há possibilidade de parcelamento, como reclama Jadir. “Tudo tem que ser pago à vista ou no Pix. Não aceitam cartão de crédito e nem de débito”, disse.

O taxista diz ainda que paga em dia o valor anual para manter o jazigo da família e que não foi informado previamente sobre a necessidade de obras no local. “A administração do cemitério apenas me avisou que foi publicado no Diário Oficial do Município. E eu queria saber qual cidadão de Belo Horizonte lê o Diário Oficial do Município. Agora, a taxa de manutenção de cemitério todo ano é enviada para os donos de jazigos. Por que nessa taxa de manutenção não vem um aviso para poder alertar as famílias?”, sugeriu.

Ele reclama também da obrigatoriedade de ter que fazer serviço somente por meio construtora contratada pela Prefeitura de Belo Horizonte.

“Acharia justo se fosse avisado antecipadamente e se desse condição de a pessoa pagar com o cartão de crédito e parcelar, poque não é todo mundo que tem um dinheiro desse para chegar e pagar à vista”.

Jadir disse ainda que mesmo pagando as taxas, o jazigo é liberado para receber um novo corpo somente entre 45 e 60 dias. “A pessoa da administração me falou que, caso o jazigo não tenha as obras específicas da prefeitura, (o corpo) vai para a cova comunitária para, depois de feitas as obras no jazigo, transferir o corpo para o local. É um absurdo”, disse.

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Abandono

Na última semana, reportagem da Itatiaia mostrou túmulos quebrados, ossos à mostra, muito mato e vários buracos abertos no cemitério da Saudade.

O que diz a PBH?

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que a legislação determina a construção de carneiros em sistema de alvenaria para a realização dos sepultamentos em jazigos adquiridos e os contribuintes devem observar as deliberações sobre a concessão no ato da aquisição do jazigo.

A nota confirma que o serviço no jazigo é contratado na administração do cemitério e executado por um prestador credenciado pelo Executivo municipal. “Os valores podem ser consultados na Portaria FPMZB nº 62 de 30 de dezembro de 2023 e são definidos conforme as opções contratadas pelo munícipe. O mesmo vale para a taxa de exumação e compra da urna para armazenamento dos restos mortais, cujo valor também é previsto na portaria supracitada”, diz o texto.


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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
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