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Postos de BH já reajustam preços, e motoristas ficam indignados: ‘Difícil trabalhar’

Medida provisória que limita os créditos provoca reajuste no preço do etanol, da gasolina e do diesel

Alguns postos de combustível de Belo Horizonte amanheceram nesta terça-feira (11) com preços do etanol, da gasolina e do diesel mais caros. Nesses estabelecimentos, o litro da gasolina, por exemplo, subiu de R$ 5,99 para R$ 6,19. A reportagem da Itatiaia percorreu postos da região Oeste e Leste da capital e também encontrou filas em postos que mantiveram o preço antigo.

Mesmo sem anúncio da Petrobras, o preço do combustível deve ser reajustado a partir desta terça-feira (11) no Brasil em razão da medida provisória que limita os créditos do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

Por causa da medida provisória, o preço final para o consumidor pode subir até 7%. O reajuste revolta motoristas, como Suelen de Paula, que trabalha com transporte escolar e precisa encher o tanque com frequência.

“Do jeito que tá fica difícil, porque a gente que roda muito praticamente trabalha para abastecer. O lucro vai todo na gasolina e agora com esse aumento vai ficar pior ainda”, disse Suelen, que teme que o litro da gasolina chegue a R$ 7. “Desse jeito fica difícil trabalhar”, disse.

O motorista José de Araújo acordou cedo e conseguiu abastecer com gasolina a R$ 5,82 e ‘salvar o leite dos meninos’. No entanto, sabe que o preço antigo não deve durar muito tempo. “É uma surpresa muito desagradável, porque o preço da gasolina está aumentando todos os dias e o trabalhador não tem como sobreviver a esses aumentos oscilantes”, disse.

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Combustíveis

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap), por exemplo, afirmou que as grandes distribuidoras de combustível já comunicaram que vão aumentar os preços a partir de hoje. A instituição ainda não tem informações precisas sobre o tamanho do reajuste, mas calcula impacto de 4 a 11 centavos na gasolina, no etanol e no diesel.

“O que o governo fez está errado e a medida é inconstitucional, mas não pode as distribuidoras fazerem isso e o revendedor e o consumidor pagarem a conta, e é o que vai acontecer”, afirmou o presidente do Recap, Emílio Martins.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), a medida tem potencial de gerar um aumento de 4% a 7% na gasolina e de 1% a 4% no diesel na fase de distribuição. O instituto calcula que as distribuidoras possuem R$ 10 bilhões em créditos de Pis/Cofins acumulados que não poderão mais utilizar. Para o IBP, a medida impõe aumento aos custos no transporte público e no frete de cargas e alimentos.

“A situação fiscal no Brasil é complicada, mas não se pode onerar a sociedade onde ela é mais vulnerável. O trabalhador precisa do transporte urbano e a produção brasileira é carregada por caminhões. É o ônibus e o frete que vão ficar mais caros”, afirma a diretora executiva de downstream (área que compreende o escoamento dos produtos após a produção) do instituto, Ana Mandelli.

A distribuidora Ipiranga enviou um comunicado à rede de revendedores da empresa afirmando que, a partir da próxima terça, os preços de gasolina, etanol e diesel serão reajustados “em função do efeito imediato da MP 1227/24, que restringiu a compensação de créditos tributários de PIS/Cofins”.


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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
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