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Empresário preso após desaparecimento de adolescente é investigado por estelionato

O registro policial foi feito em março do ano passado; homem foi preso no último fim de semana após menina de 16 anos sumir no bairro Castelo, na Pampulha

O empresário Guilherme Augusto Guimarães, de 38 anos, preso por descumprir medida protetiva após o sumiço de uma adolescente com quem se relacionava, é investigado pelo crime de estelionato. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na manhã desta terça-feira (11).

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O caso ficou conhecido após a jovem desaparecer do bairro Castelo, Pampulha, na capital mineira. Na manhã de sábado (8), uma operação policial conseguiu localizar a menina e o homem, com quem ela se relacionava desde os 13. Aos policiais, o empresário contou que estava com a menina e foi preso em flagrante por descumprir uma medida protetiva, baseada na Lei Henry Borel, que tipifica a violência doméstica contra crianças e adolescentes. Por causa dessa medida, ele não poderia chegar perto dela. Nessa segunda (10), após ausência de custódia, a juíza converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Estelionato

Não só pelo possível crime contra a adolescente o homem pode responder. Em março de 2023, a Polícia Civil instaurou inquérito contra ele, a fim de apurar denúncias de crime de estelionato. “Os procedimentos investigativos tramitam por meio do Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, na capital”, informou. Segundo a corporação, outras informações poderão ser divulgadas ao final das investigações.

Conforme o boletim de ocorrência, registrado em 21 de março daquele ano, a que a Itatiaia teve acesso, uma mulher de 42 anos procurou a polícia para relatar ter sido vítima de uma pirâmide de investimentos. “Seu prejuízo, segundo o aporte financeiro investido, estaria girando em torno de R$ 70.000.000,00, e que o retorno do investimento prometido se daria no valor de resgate de 4% ao mês”, informou o registro policial.

O investimento foi oferecido por Guilherme e pela antiga companheira. Contudo, a empresa pertencia a um terceiro homem. “A mesma ainda informa que chegou a receber parte do investimento prometido, pelo período de 4 meses, o valor de R$ 2.800”, acrescentou o documento. Contudo, em dezembro de 2022, a quantia deixou de ser depositada em sua conta.

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Outro caso

Em 27 de julho do ano passado, um novo b.o. foi registrado. A vítima, uma pessoa de 36 anos, contou aos policiais que conheceu Guilherme há cinco anos, quando o empresário passou a ser cliente no seu escritório de contabilidade. O suspeito tinha uma empresa de marketing direto, e a vítima foi contratada para prestar o serviço.

“A vítima informa que lhe foi ofertado por Guilherme Augusto um sistema de investimento, que consistia em aporte de valores com rendimento mensal de 4%". A vítima conta que, segundo Guilherme, um terceiro homem era o responsável pelas transações e investimento, e que todas as contas indicadas para a vítima realizar os depósitos eram repassadas diretamente por Guilherme.

No total, conforme extratos bancários apresentados pela vítima, o aporte de valores chegou a R$ 250.000,00. “A vítima ressalta que os depósitos foram feitos para diversas pessoas, todas indicadas por Guilherme”, descreve o b.o. A única pessoa conhecida para quem a vítima fez depósito é o terceiro homem que, apesar de possuir contrato de mútuo firmado com a pessoa, os aportes até o montante de R$ 250.000,00 foram feitos nas formas indicadas.

Em agosto de 2022, Guilherme parou de repassar os valores de rendimento, alegando que o terceiro homem estava com problemas junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). “Guilherme Augusto continuou repassando informações vagas para a vítima, sempre pedindo para aguardar mais um tempo até que a questão se resolvesse”.

A Polícia Civil investiga o caso e pede que, se outras pessoas tenham se sentido lesadas, procurem uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência.

Guilherme continuará preso

Guilherme passou por audiência de custódia nessa segunda-feira (10) e continuará preso. Ele foi detido nesse sábado (9) após a menina ser encontrada em Ribeirão das Neves, na região metropolitana.

Nesse domingo (9), a Polícia Civil informou que o suspeito foi conduzido para a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), em BH, devido ao descumprimento de Medida Protetiva, expedida pela Vara Especializada da Criança e Adolescente da capital. Diante disso, a juíza Juliana Miranda Pagano, da Central de Recepção de Flagrantes de Belo Horizonte, converteu a prisão em flagrante para preventiva.

A reportagem da Itatiaia tenta contato com a defesa de Guilherme. O espaço está aberto caso queira se manifestar.


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Formou em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Enzo Menezes é chefe de reportagem do portal da Itatiaia. Formado em jornalismo pela Fumec, tem pós-graduação em Poder Legislativo e Políticas Públicas pela Escola do Legislativo da ALMG. Foi produtor e coordenador de produção da Record e repórter do R7 e de O Tempo
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