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Estudante de engenharia do Congo se estabelece em BH como trancista: ‘meu sonho é abrir um salão’

Por causa das altas notas na escola, Austhere Mbouilou veio para BH estudar engenharia na PUC; como trancista, chega a levar 12 horas em cada trabalho

“As tranças fazem parte do nosso costume no Congo e na África. Elas fazem parte da nossa história e ancestralidade. Elas expressam a nossa identidade e moldam nossa imagem”. É assim que a congolesa Austhere Demarce lhein-khim Mbouilou, ou só Khim para os brasileiros, descreve o que a arte de trançar os cabelos significa para ela.

Desde 2021, a trancista, de 24 anos, mora em Belo Horizonte. Ela conta que veio para a capital mineira, em 2021, para estudar engenharia eletrônica na PUC Minas. Khim foi escolhida para estudar no Brasil devido às altas notas durante o ensino médio no Congo.

Mas, ao chegar aqui, uma nova paixão aflorou: a de fazer tranças. “Eu fazia as tranças no meu país, mas só em quem era da família. Quando eu cheguei aqui, comecei a fazer em outras pessoas. No início, não foi fácil explicar o que eu fazia e ganhar clientes. Mas, depois que uma menina me achou no Facebook, fez as tranças e gostou, outras pessoas vieram me procurar”, conta.

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A paixão pelas tranças é tamanha, que mesmo após concluir a faculdade de engenharia, Khim não quer abandonar a carreira de trancista.

“Eu sei que vai ser difícil [conciliar as duas carreiras], mas estou preparada. Eu gosto de fazer tranças, na verdade, eu adoro. Eu tenho muitas ideias, gosto de testar novas técnicas. É algo natural para mim”, diz.

Com uma veia empreendedora, a congolesa já criou a própria marca de pomadas modeladoras, confecciona apliques para vender e, agora, diz que o próximo passo é abrir um salão. “O dinheiro das tranças vai me ajudando a conquistar outras coisas, como a marca de pomada. Mas sempre foi meu sonho abrir um salão”, afirma.

Hoje, Khim conta que atende sozinha as clientes e que cada trabalho pode durar até 12 horas.

“Eu atendo na minha casa, na casa dos clientes ou onde eles se sentirem confortáveis. Eu quero o bem-estar dos meus clientes. Já cheguei a atender uma moça até no bar. Mas, como eu trabalho sozinha, consigo atender no máximo duas pessoas por dia, no caso das tranças laterais, que costumam ser mais rápidas. Se a pessoa for trançar o cabelo todo, pode demorar de 10 a 12 horas”, explicou.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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