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Caso Ana Luiza: socorrista que atendeu vítima relata comportamento ‘calculista’ do indiciado

Profissional do Samu é primo da vítima; Polícia Civil indiciou de Davi Martins Santos, de 25 anos, por estupro, homicídio, fraude processual e corrupção de menores

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Imagens de câmeras de segurança flagraram o indiciado deixando a menina, desacordada, na calçada em frente à casa dele

Imagens cedidas à Itatiaia

“Frio e calculista”. É assim que João*, socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), descreveu Davi Martins Santos, de 25 anos, preso pela morte da adolescente Ana Luiza Silva Gomes, de 12 anos, no bairro Bela Vitória, região Nordeste de Belo Horizonte. Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (26), a Polícia Civil informou que Davi foi indiciado pelos crimes de estupro, homicídio, fraude processual e corrupção de menores.

João*, que é primo da vítima, contou à reportagem da Itatiaia que a sua equipe foi acionada para atender a ocorrência do dia 16 de janeiro. “Quando chegamos, ele estava acenando”, disse. Nos primeiros minutos, o profissional do Samu já reconheceu que Ana Luiza era filha do seu primo. “Foi muito comovente, a gente tenta mostrar o lado profissional, mas o coração fica cortado de ver uma crueldade como essa”, acrescentou.

O familiar relatou que, a todo momento, o indiciado repetia o nome dela, mas alegava que não a conhecia. “Questionávamos como ele sabia o nome dela, se nunca a tinha visto? Ele disse que só chamou a menina para tomar um copo d'água, porque ela estava passando mal após usar loló, sendo que ela nunca usou o entorpecente”, disse. O fato foi comprovado por exames da Polícia Civil, que teve o resultado do toxicológico negativo para qualquer uso de drogas por parte da vítima.

João* ainda contou que o homem fingia se preocupar com a situação e foi solícito para auxiliar a equipe. “Oferecia ajuda o todo tempo”, disse. Segundo a polícia, a morte de Ana Luiza ocorreu após o tórax da menina ser comprimido durante a violência sexual, o que a impediu de respirar.

Atualmente, o suspeito se encontra preso. Caso seja condenado, a pena pode chegar a 54 anos de prisão. O primo se surpreendeu com o trabalho rápido da Polícia Civil. Contudo, teme que Davi volte às ruas: “As nossas leis que são brandas e favoráveis aos ‘vagabundos”, acrescentou.

O que aconteceu

  • Câmeras de segurança mostram que, no dia 16 de janeiro, por volta de 10h13, a menina entrou em uma casa na rua Marrocos Filho com um homem;
  • Três horas depois, a câmera flagrou o mesmo homem, com uma roupa diferente, olhando o movimento da rua. Em seguida, ele foi flagrado deixando o corpo da menina no passeio da casa;
  • O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o óbito, constatado no local;
  • O suspeito foi encontrado e contou à polícia que estava no campo de futebol do bairro Nazaré, quando viu Ana Luiza. Ele disse que ela pediu água, pois estava passando mal, e que ele a convidou para ir até a sua casa;
  • Em determinado momento, na versão dele, ela ficou com falta de ar e ele a levou para fora de casa e acionou socorro. As investigações, no entanto, apontam que ela morreu por sufocamento durante estupro e foi deixada, já sem vida, do lado de fora da casa;
  • Ele foi preso em flagrante no dia 17 de janeiro e, no dia 26 de janeiro, foi indiciado por estupro, homicídio e fraude processual criminosa;
  • A menina foi sepultada no dia 17 de janeiro, no Cemitério da Saudade, na região Leste de BH.

*com informações de Oswaldo Diniz e Talyssa Lima
** nome fictício

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Formou em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
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