CNJ permite que vítimas de assédio sexual participem de processos contra magistrados

Vítimas poderão atuar como terceiras interessadas, com direito a apresentar perguntas, acompanhar depoimentos, fazer alegações finais e realizar sustentação oral

Justiça italiana anunciou a decisão na última sexta-feira (15)

Mulheres que denunciem assédio sexual cometido por integrantes da magistratura poderão, a partir desta semana, participar diretamente dos processos administrativos disciplinares (PAD) que investigam esses casos no Judiciário. A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta terça-feira (25/11), durante a 16ª Sessão Ordinária de 2025.

Por maioria, conselheiras e conselheiros aprovaram que as vítimas poderão atuar como terceiras interessadas, com direito a apresentar perguntas, acompanhar depoimentos, fazer alegações finais e realizar sustentação oral, algo até então inexistente na esfera administrativa da Justiça.

Decisão

A proposta foi relatada pela conselheira Renata Gil, que afirmou que o tratamento processual diferenciado se justifica pela perspectiva de gênero e pelos compromissos internacionais de proteção às mulheres vítimas de violência. Segundo ela, o assédio sexual não pode ser tratado como uma simples infração disciplinar.

“Trata-se de uma conduta que atinge gravemente a dignidade, a integridade psíquica, a liberdade sexual e a honra da vítima. Seus efeitos reverberam profundamente na trajetória profissional da mulher”, afirmou.

Renata Gil lembrou que, apesar de ser quem denuncia, a vítima não podia participar formalmente do processo. Para a conselheira, excluir a denunciante significa invisibilizar a violência sofrida.

A relatora ressaltou que casos de assédio sexual expõem a intimidade da vítima, o que torna ainda mais necessário criar mecanismos transparentes e eficazes para garantir reparação moral, material e simbólica.

“O direito de informação permite que a mulher perceba que sua denúncia gerou resultados e, a partir disso, possa reconstruir sua narrativa de vida”, disse.

TJSP havia negado acesso

O caso analisado pelo CNJ envolve uma servidora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que denunciou um juiz por assédio sexual e teve o acesso ao PAD negado pela desembargadora responsável pelo caso.

Com a decisão do Plenário, a requerente deverá ser incluída como interessada no processo, passando a ter direito de:

  • acessar os autos e obter cópias de documentos;
  • acompanhar todos os atos instrutórios;
  • formular perguntas a testemunhas e ao magistrado investigado;
  • solicitar produção de provas;
  • apresentar alegações finais;
  • realizar sustentação oral, acompanhada de advogado ou defensor público.

O entendimento aberto pelo CNJ passa a orientar casos semelhantes em tribunais de todo o país.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre Cidades, Brasil e Mundo.

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