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‘Eventualmente alertas não se confirmam’, diz governador do RS sobre estudos que avisavam sobre chuvas

Eduardo Leite (PSDB-RS) afirmou que governo recebeu os estudos, mas que tinha outras pautas para resolver; enchentes já deixaram ao menos 157 mortos em todo o estado

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB-RS), rebateu as críticas que vêm recebendo por não ter investido em sistemas de prevenção a enchentes. Desde o fim de abril, o Rio Grande do Sul sofre com fortes chuvas e cheias dos principais rios do estado. Mais de 90% das cidades gaúchas (463) tiveram algum dano referente aos temporais ou enchentes. Em Porto Alegre, metade dos bairros foi inundada, assim como o aeroporto da cidade.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Leite negou que a mudanças sancionadas por ele, em 2020, em cerca de 480 normas ambientais tenham piorado a tragédia.

“Essa afirmação é absurdamente equivocada, para dizer o mínimo. Além disso, sequer analisa o que está dentro dessas alterações. Simplesmente burocratizar e dificultar licenças não é proteger o meio ambiente. Acabaram com a legislação ambiental? Não, aprimoramos, modernizamos, ajustamos e até endurecemos em muitos pontos”, afirmou.

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‘Governo também vive outras pautas’

O governador também comentou sobre os estudos que indicavam que o Rio Grande do Sul poderia sofrer com o aumento de temporais devido às mudanças climáticas.

“Esses estudos de alguma forma alertam, mas o governo também vive outras pautas e agendas. A gente entra aqui no governo e o estado estava sem conseguir pagar salário, sem conseguir pagar hospitais, sem conseguir pagar os municípios. A agenda que se impunha ao estado era aquela especialmente aquela vinculada ao restabelecimento da capacidade fiscal do estado para poder trabalhar nas pautas básicas de prestação de serviços à sociedade gaúcha. Cumprimos essa tarefa, porque agora estamos diante dessa crise enorme com capacidade fiscal para enfrentá-la”, disse o chefe do executivo do RS.

“Muitos alertas se revelam agora especialmente relevantes. Muitos alertas foram feitos e não se consumaram também. Então, naturalmente, vamos estruturar o poder público para que a gente possa receber esses alertas, tentar depurar o que é crítico, o que não é tão assim. Até por isso o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência, para nos ajudar a entender. Já recebi alertas que não se revelaram. Então, eventualmente, os alertas também não se confirmam. A gente está buscando fazer a adaptação e essa situação crítica que a gente está enfrentando agora impõe ao governo e à sociedade uma nova postura, sem dúvida nenhuma, diante dos alertas”, acrescentou Leite.

Enchentes no RS

Segundo a Defesa Civil, as fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul, desde o fim de abril, já afetaram quase 2,3 milhões de pessoas em 463 municípios, o equivalente a mais de 90% do estado gaúcho. De acordo com os dados mais atualizados, são 157 mortos, 88 desaparecidos, 806 feridos, mais de 76 mil em abrigos e mais de 580 mil desalojados (em casa de parentes e amigos).

Como ajudar?

Segundo as autoridades, desabrigados e desalojados que foram acolhidos pela Defesa Civil precisam não só de alimentos, como também de colchões, roupas de cama e banho e também cobertores. Quem mora na região de Porto Alegre pode contribuir presencialmente no Centro Logístico da Defesa Civil Estadual (avenida Joaquim Porto Villanova, 101, bairro Jardim Carvalho, Porto Alegre).

Além de receber doações de vários itens, as autoridades permitem a doação de qualquer tipo de valor em dinheiro. Para permitir a colaboração de pessoas de outras cidades e estados, o Governo do Estado criou uma chave Pix para receber doações. Quem quiser contribuir, pode fazer um Pix para o CNPJ 92958800000138


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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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