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Justiça de SP pede exame a Alexandre Nardoni antes de avaliar pedido de liberdade

Magistrado se baseou na nova Lei das Saidinhas sancionada por Lula (PT) para exigir a realização do exame criminológico; Nardoni foi condenado pela morte da filha, Isabella, de 8 anos

A Justiça determinou, nesta segunda-feira (15), que Alexandre Nardoni deve passar por um exame criminológico antes do juiz avaliar o pedido da defesa do detento, que quer progredir para o regime aberto. A decisão se baseia na nova Lei das Saidinhas, sancionada com vetos na última quinta-feira (11) pelo presidente Lula (PT). Nardoni foi condenado a 30 anos de prisão pela morte da própria filha, Isabella, e está preso em Tremembé desde 2008 (relembre o crime no fim da matéria).

Na decisão, o juiz José Loureiro Sobrinho, da 9ª Unidade Regional de Departamento Estadual de Execução Criminal (Deecrim), o juiz dá um prazo de 40 dias para que o exame criminológico seja feito. O procedimento é obrigatório e consiste na avaliação da personalidade, valores éticos e morais, presença de agressividade e outros indícios que apontam que o réu possa voltar a cometer crimes.

Uma comissão composta por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e agentes penitenciários deve ser formada para avaliar a situação de Nardoni. O resultado do exame será encaminhado à Justiça, que aí sim vai decidir se o condenado pode cumprir o restante da pena, prevista para acabar em 2035, fora da prisão.

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Relembre o crime

Policiais foram acionados no dia 29 de março de 2008 após o síndico de um edifício alegar que um assaltante entrou em um apartamento e atirou uma criança do sexto andar. A menina era Isabella Nardoni, que à época tinha 5 anos e estava na casa do pai e da madrasta.

A pequena estava em um apartamento do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, onde Alexandre Nardoni (seu pai) e Anna Carolina Jatobá (sua madrasta) viviam com outros dois filhos. Isabella ficava entre a casa do pai e da madrasta e a da mãe, Ana Carolina Cunha.

Quando a polícia chegou ao local encontrou Isabella no gramado e o pai dela, Alexandre, aparentemente preocupado. Ela foi socorrida, mas morreu a caminho do hospital.

No apartamento, Alexandre e Anna Carolina confirmaram a versão de que um assaltante entrou no imóvel e atentou contra Isabella. O casal foi levado para a delegacia, onde foi interrogado por pelo menos 24 horas. Durante depoimento, eles voltaram a falar do suposto roubo.

Prisão

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram detidos preventivamente em 3 de abril de 2008. No dia 18, o casal foi indiciado pelo homicídio da pequena. Em maio daquele ano, o juiz acatou a denúncia do Ministério Público e eles foram presos preventivamente novamente.

Ambos - que nunca se declararam culpados - foram condenados por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Enquanto Alexandre pegou pena de 31 anos, Anna recebeu 26.

Alexandre começou a cumprir regime semiaberto em 2019. Em junho de 2023, Anna Carolina conseguiu progressão para o regime aberto.


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É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
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