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Surto de meningite em São Paulo pode ameaçar Minas Gerais? Entenda o que é a doença e como se prevenir

O estado de São Paulo declarou surto de meningite, e Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão em alerta para aumento de casos

Em meio a um surto de meningite em São Paulo, especialistas estão reforçando a importância da vacinação contra a doença no país. Em Belo Horizonte, mesmo com a imunização gratuita disponível em todos os centros de saúde da capital desde o dia 13 de julho, a cobertura vacinal não passou de 62%.

De acordo com o médico infectologista Leandro Curi, o surto que está acontecendo São Paulo pode facilmente migrar para outras partes do país, inclusive Minas Gerais, principalmente por causa do esquema de vacinação enfraquecido.

“A vacinação incompleta vai gerar, obviamente, uma desproteção da população em geral, principalmente crianças, pessoas jovens ou com algum grau de imunidade alterada, isso pode ser transmitido para outras pessoas”.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, em 2022 já foram confirmados 69 casos de meningite. Em 2021 foram registrados 77 casos e, no ano anterior, 80.

O que é meningite?

Leandro Curi explica que a meningite é uma inflamação que pode atingir partes essenciais do corpo, como o cérebro e a medula espinhal. “Meningite é a inflamação das meninges, que são membranas bem fininhas que protegem o nosso sistema nervoso central, no caso, a medula espinhal que fica dentro da coluna, e o encéfalo, que compreende, entre outros órgãos, o cérebro”.

Ainda conforme o médico, as meninges têm a função de proteger o sistema nervoso de doenças, além de nutrir e hidratar a área. Dessa forma, a inflamação pode facilmente chegar ao cérebro e outros tecidos importantes do corpo, e pode levar o paciente a óbito.

A doença, entretanto, pode ter várias origens, sendo os mais comuns a viral e a bacteriana. A meningite viral é a que mais ocorre e não é tão grave. Ela é causada por alguns tipos de vírus, como o enterovírus e a herpes, e pode ser transmitida tanto pelo ar quanto por relações sexuais e contato com fezes de pessoas infectadas.

O que é a meningite bacteriana? Quais os sintomas?

A meningite bacteriana, ou meningocócica, é considerada a forma mais grave da doença, e é a que está circulando em São Paulo. Este tipo de meningite se desenvolve rápido e tem mais chances de deixar sequelas, seus principais sintomas são: febre, dores de cabeça, rigidez na nuca e confusões mentais, além de manchas avermelhadas na pele nos casos mais graves. A doença é transmitida por gotículas no ar e secreções, e é causada por bactérias.

“A meningite meningocócica é perigosa porque ela é muito virulenta. Isto é, ela tem uma facilidade alta de transmissão e essa transmissão também pode causar uma doença séria nas pessoas que são contaminadas. Então, os vários sorotipos do meningococo podem causar doença e morte”, explica Curi. Ele ainda reforçou a importância da imunização para evitar a transmissão: “a vacinação é principalmente indicada para crianças, inclusive está no calendário vacinal do programa nacional de imunização”.

Prevenção e tratamento

Leandro Curi alerta que, no menor sinal dos sintomas da doença, é importante procurar atendimento médico. Apesar da indicação de uso de máscaras quando se está em contato com infectados, a vacinação ainda é a melhor forma de se prevenir contra a meningite. É o que explica o médico infectologista:

“Mamãe e papai, como sinal de amor e cidadania, levem os filhos para vacinar e completar o cartão vacinal. Ainda são as crianças que são mais acometidas pela doença e a gente tem vacina para proteger”.

Curi ainda reforça outros grupos que devem se vacinar: “pessoas com déficit de imunidade, como portadores de HIV, pacientes oncológicos ou que usam algum tipo de medicamento para diminuir a imunidade, também devem ser contemplados para a vacinação contra meningite bacteriana”.

O tratamento, segundo ele detalha, é feito conforme o diagnóstico da origem da doença – se é viral ou bacteriana, por exemplo. “Exames têm que ser realizados para avaliar se vai precisar de algum medicamento antiviral, algum antibiótico para bactéria, remédios sintomáticos, ou outros medicamentos, até antifúngicos”, conta.

Como é determinado um surto?

Os estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo estão em estado de alerta para a disseminação da meningite. No caso do estado paulista, foi declarado estado de “surto”, o que significa que houve um aumento no número de casos que foge do normal.

“Surto é quando existe uma explosão de casos, como é o caso da meningite meningocócica em São Paulo. Isto é fora do padrão, fora da curva anual, e isso já configura um surto. Se eu não tenho doença nenhuma em Belo Horizonte, por exemplo, e aparecem dois pacientes com a doença, é um surto, porque eu não tenho esse padrão aqui na cidade”, explica Curi.

Vacinação

Atualmente, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está disponibilizando a vacina Meningocócica C Conjugada, que imuniza crianças a partir dos 3 meses de idade contra a meningite bacteriana. A imunização é feita por três doses: aos três, aos cinco e aos 12 meses de idade. Desde o dia 13 de julho a PBH ampliou a vacinação para crianças de até 10 anos que ainda não tenham completado o esquema vacinal e para os trabalhadores da saúde, e ela está disponível em todos os Centros de Saúde da cidade.

Leandro Curi acredita que os surtos de meningite no país se devem ao enfraquecimento do esquema vacinal. “A gente está em um momento em que a cobertura vacinal está completamente em queda, e isso pode explicar, inclusive, parte do surto de meningite bacteriana em São Paulo. No momento em que a gente põe em xeque as vacinas, a taxa de vacinação cai”, cita.

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