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Vivemos uma entressafra, acorda Brasil

Vivemos uma entressafra, acorda Brasil

Alguns anos atrás fiz uma entrevista com Américo Faria, então supervisor da Seleção Brasileira, comentando a saída em massa de jogadores brasileiros para o exterior e prevendo os estragos que iria ocasionar no futuro. Hoje já podemos sentir o prejuízo dessas saídas precoces de jogadores. O nosso termômetro é o prêmio da FIFA realizado em janeiro. Basta buscar as relações dos finalistas e acompanhar como despencou o número de brasileiros. Anos anteriores, era comum a presença de sete, oito e até nove jogadores do Brasil sendo bem votados. Vimos Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Rivaldo ganhar como melhores do mundo, alguns mais de uma vez. Na última relação da FIFA, Neymar apareceu na décima colocação entre os candidatos a craque de 2011, e nenhum outro atleta nacional que atua no Europa. Lógico que Neymar já escreveu o nome dele na história dos melhores. Pela primeira vez alguém que atua no Brasil entrou na lista e ainda abocanhou o prêmio de gol mais bonito do ano, aquele marcado encima da defesa do Flamengo na Vila Belmiro. Daniel Alves apareceu apenas na Seleção do Mundo 2011. Muitos torcedores vão dizer que os culpados são dirigentes e empresários, que apenas visam dinheiro e esquecem das raízes do nosso futebol. A entressafra chegou e com ela já sentimos o dissabor de fracassos nas Copas do Mundo da África do Sul e América na Argentina, além de amistosos desastrosos contra fracos e fortes. Será que treinadores os próprios atletas não são culpados também, ou deixamos de ser uma potência futebolística? Onde estão Kaká, Robinho e Alexandre Pato? Poucos exemplos para citar alguns jogadores apagados. E quais podem despontar em breve? Thiago Silva, David Luiz, Marcelo do Real Madrid, Ramires, os gêmeos do Manchester United, Rafael e Fábio? Você lembrou de alguém? Deixe seu comentário aqui na coluna. E para fechar, hoje, mesmo com muita boa vontade, não conseguiríamos montar duas boas Seleções Brasileiras. Precisamos rever essa situação com urgência para chegar com credibilidade em casa para a Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil. Tentar dizer que neste momento a coisa não é bem assim é varrer o lixo para debaixo do tapete. Acorda Brasil.