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Entenda como tudo começou no escândalo do futebol mundial

O noticiário do mundo inteiro repercute as prisões de dirigentes da Fifa, feitas em Zurique, na semana do

O noticiário do mundo inteiro repercute as prisões de dirigentes da Fifa, feitas em Zurique, na semana do Congresso Eleitoral da entidade do futebol mundial. O ex-presidente José Maria Marin está entre os investigados.

O assunto das investigações tem dois pilares. O primeiro envolve as escolhas da Rússia e Catar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, quando a Inglaterra e os Estados Unidos foram preteridos, e os escolhidos, acusados de compra de votos. O FBI entrou no circuito para investigar as acusações a partir de Chuck Blazer, o homem dos direitos televisivos das Copas do Mundo.

O segundo envolve o futebol sul-americano, com denúncias de J. Hawilla na Justiça Americana. Você poderá entender um pouco mais de tudo isso nessa nota oficial do ex-presidente do Flamengo Kleber Leite, cuja a empresa de marketing esportivo foi visitada pela Polícia Federal e documentos foram recolhidos. Leiam e entendam a parte do Brasil no caso:

No final ano de 2012, o futebol sul-americano vivia momentos conturbados. As dez federações do nosso continente, insatisfeitas com o que recebiam da Traffic pela participação na Copa América, se rebelaram e, junto com a Confederação Sul-Americana, romperam o referido contrato com a Traffic, e elegeram a empresa argentina Fullplay, como agência responsável pela captação de recursos para a Copa América. J. Hawilla, representando os interesses da Traffic, apelou para o judiciário, entrando nos Estados Unidos com uma série de ações contra as Federações, Confederação Sul-Americana, e cada um dos presidentes das Federações e, também, contra o presidente da Confederação Sul-Americana, Nicolaz Leoz. Deflagrada estava uma batalha jurídica de difícil solução. A Confederação Sul-Americana determinou à todas as Federações que nenhuma delas dali para frente firmasse qualquer acordo comercial com a Traffic e, quem naquele momento tivesse qualquer relação comercial em curso, que fizesse o possível para romper. A CBF recebeu este comunicado da Sul-Americana e, de imediato, encaminhou para o seu departamento jurídico, já que havia um contrato entre CBF e Traffic, em que o objeto era a Copa do Brasil, contrato este que iria até dezembro de 2014. O jurídico da CBF desaconselhou o rompimento do contrato, alegando que, apesar da determinação da Confederação Sul-Americana, não havia nenhum motivo que justificasse o rompimento, e que se assim fizesse a CBF, certamente haveria uma derrota garantida no judiciário brasileiro. Ainda neste parecer, o jurídico da CBF aconselhou sim, a que o contrato não fosse renovado, pois não havia nenhuma cláusula que a obrigasse a isso.

O parecer foi acatado pelo presidente da CBF, o que possibilitou a entrada da Klefer como pretendente em assumir a Copa do Brasil, e a proposta que fizemos, totalizando 128 milhões de reais, com reajuste anual, por oito edições, foi aceita e o contrato assinado no dia 08 de dezembro.

Paralelo a este tema, aconteceu algo curioso. Como tinha um bom relacionamento com J. Hawilla (Traffic), Hugo Jinks (Fullplay) e com os presidentes das Federações, acabei sendo a pessoa que uniu as partes litigantes neste imbróglio da Copa América e, depois de inúmeras reuniões, houve o acordo para que a Traffic retirasse a ação na justiça americana, sendo formada uma sociedade composta por Traffic, Fullplay e TyC (Torneos y Competencias), empresa argentina de comunicação, sociedade esta que passou a ser a detentora dos direitos da Copa América. Na realidade, juntei as partes e promovi o diálogo. A Klefer, empresa da qual sou sócio, não tinha, como não tem, nenhum interesse comercial ou relação com a Copa América.

Com tudo voltando ao normal, recebi em Punta del Este um telefonema de J. Hawilla, fazendo um apelo quase que desesperado, alegando que sua empresa já não tinha mais propriedades importantes, estando restrita apenas a um terço da Copa América, o que para ele era muito pouco, pois tinha a intenção de vender a Traffic e, sem direitos importantes, ninguém iria se interessar. Apelou para a nossa velha amizade, quase que implorando para que a Klefer dividisse com a Traffic o contrato que havíamos firmado com a CBF. Levei o tema para os meus sócios e, mais no emocional, entendemos que poderíamos aceitar a Traffic como parceira no projeto. Após algumas reuniões, o nosso contrato foi assinado, com a Klefer participando de duas edições no contrato CBF/Traffic e, a Traffic, participando das oito edições do contrato CBF/Klefer. Deste ponto, até hoje, tudo transcorreu normalmente. Neste período, praticamente não mais estive com J. Hawilla, que há dois anos havia fixado residência em Miami. Hoje, fui surpreendido pelo noticiário dando conta que por problemas com o fisco americano, e ante a possibilidade de ser preso, negociou com quem de direito, e através de uma delação premiada fez uma série de acusações, sendo uma delas a de que teríamos nós da Klefer, a exemplo dele, réu confesso, pago propina para a obtenção do contrato mencionado aqui.

A nossa resposta é muito simples. Jamais usamos deste expediente para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 (TRINTA E DOIS!) anos de vida da Klefer. Talvez por isso, tenhamos um tamanho normal para uma empresa de Marketing Esportivo. Em segundo lugar, o valor pago à CBF é o maior indicador de que este foi o limite do investimento. Agora mesmo, ante a crise que vivemos, são grandes as dificuldades em se conseguir o equilíbrio desejado. Desafio a qualquer empresa de consultoria afirmar que o preço que é pago pela Klefer à CBF, pelos direitos pertinentes à Copa do Brasil, não seja mais do que justo.

Os contratos e toda a documentação aqui mencionada, estão à disposição. Aqui, não há nada a temer.

Soube que neste período, J. Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável!!! Que fim de vida…

Para encerrar, acuso que recebemos na Klefer as visitas do Ministério Público e da Polícia Federal, em ato de cooperação com o Governo Americano, e que todos os documentos solicitados foram prontamente entregues. A Klefer, através de seus dirigentes, está inteiramente à disposição das autoridades.