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Planeta Fome

21/01/2022 às 03:36

A música brasileira perdeu Elza Soares, que faleceu como um anjo adormecido na sua casa no Rio, no dia de São Sebastião, que há 39 anos atrás levava Mané Garrincha, outro anjo, “o das pernas tortas” e grande amor de sua vida. 

Elza Soares, ao participar pela primeira vez do Programa de Calouros de Ari Barroso na Tupi, em 1959, se apresentou com um vestido da mãe, 20 quilos mais gorda, para ganhar um prêmio em dinheiro oferecido pelo achocolatado Toddy e, quando chamada ao palco,  causou gargalhadas do auditório pelo seu biotipo e o excelente apresentador, mineiro de Ubá, perguntou aquela jovem suburbana de qual planeta ela era. A resposta, que cunhou sua carreira, viria naturalmente. “Seu Ari, eu sou do planeta fome”. 

Elza Soares teve uma vida que valeria um filme Hollywoodiano. Pobreza, fama, vidas perdidas de entes queridos e o reconhecimento internacional de uma mulher à frente do seu tempo e um jeito único de cantar. Nunca faltou amor. 

Foi condenada sumariamente pela sociedade brasileira de 1962 ao se aproximar de Mané Garrincha, herói na Copa do Chile, e que começava a perder o jogo da vida para a bebida alcoólica ao enfrentar as constantes lesões, principalmente nos joelhos. Elza Soares, entrou em campo e foi driblar os piores marcadores de Mané sem medo de cara feia. 

Conheci a guerreira Elza Soares nos estúdios da Rádio Nacional na Praça Mauá, nos anos 90. Sua fibra e vontade de viver eram contagiantes e nos desafiava a enfrentar todas as dificuldades do dia a dia. Aprendi com quem sofreu. 

“O Planeta Fome” tem esses habitantes que são tão simples, tão iguais a nós, que viram super heróis com super poderes de uma substância chamada amor. O alimento que nos faltam no dias de hoje.

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