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Conmebol cega e surda

O Tribunal Disciplinar da Conmebol, em primeira instância, é cego e surdo para a justiça. Punir o Real Garcilaso com multa de US$ 12 mil – cerca de R$ 27,8 mil – é apenas para incentivar novos episódios de racismo na Copa Libertadores

O Tribunal Disciplinar da Conmebol, em primeira instância, é cego e surdo para a justiça. Punir o Real Garcilaso com multa de US$ 12 mil – cerca de R$ 27,8 mil – é apenas para incentivar novos episódios de racismo na Copa Libertadores da América. As pessoas vão entender que atos como este não provocam nenhuma punição grave ao seu clube.

Dizer que foi a primeira vez, e uma punição pedagógica tem que ser aplicada, é apenas para evitar as medidas necessárias em um caso tão chocante, divulgado à exaustão pela imprensa e silenciado pelo tribunal.

A Conmebol perde uma grande oportunidade de ser exemplo para o mundo, onde o racismo ainda insiste em existir em povos covardes e intolerantes.

Quanto aos relatórios do árbitro e do delegado da partida entre Real Garcilaso e Cruzeiro, que nada escreveram sobre o assunto, já evidenciava que pouca coisa aconteceria no julgamento. Fica uma triste constatação, o futebol poderia ajudar e muito, nesse combate ao racismo, mas tropeça nas suas próprias pernas e chuta a bola para longe.

A imprensa observa que na Conmebol é mais grave um atraso de três minutos em um jogo do que gritos racistas. Em 2013, o Cerro Porteño, do Paraguai, retardou a entrada no campo e pagou uma multa de US$ 14 mil, enquanto o clube peruano foi multado em US$ 12 mil.

A pobreza das almas chega ao ponto de avisar que estamos muito longe da justiça e bem perto do absurdo.