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A força de vontade de Laís Souza

A ginasta Laís Souza está de volta ao Brasil. Depois de dez meses do acidente grave, quando treinava para os jogos de inverno em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

16/12/2014 às 12:53
Foto: Dr. Antonio Mattos Júnior (médico do Time Brasil e da Universidade de Miami)
A força de vontade de Laís Souza

A ginasta Laís Souza está de volta ao Brasil. Depois de dez meses do acidente grave, quando treinava para os jogos de inverno em Salt Lake City, nos Estados Unidos. Ela teve uma contusão na coluna. Com ajuda divina, vai se recuperando e quer entrar andando no ginásio com os atletas da ginástica em 2016.

Leia alguns trechos da entrevista coletiva concedida por ela, aqui no Rio de Janeiro, ao lado do médico Dr. Antonio Mattos Junior. A lição de vida, a esperança renovada para 2015 e o resto da vida. Vale a pena dedicar alguns minutos:

"Metade dos pacientes que sofrem uma lesão como a dela acabam falecendo nas primeiras 24h, pois é uma lesão muito alta, no centro da respiração. As pessoas simplesmente param de respirar. Se o atendimento não for rápido e efetivo, os pacientes não sobrevivem. Depois das primeiras semanas, mais 20% morrem em decorrência de complicações desse trauma. Posso dizer que a operação que foi criada para a recuperação da Laís foi única no esporte no mundo. Na primeira hora de atendimento já estávamos com o COB, conectado com os doutores João Grangeiro, Barth Green, Osmar Morais e Breno Schorr. Toda uma junta médica voltada para isso. Desde o momento do acidente, ela perdeu os movimentos, mas teve acesso a tudo de melhor que existe no mundo, inclusive alguns protocolos que ninguém teve.

Ela encarou tudo como grande atleta que é. Ela sabe que o ciclo olímpico tem quatro anos e as conquistas são conseguidas passo a passo. Qual a próxima meta? Qual o próximo objetivo? E ela fez tudo corretamente. Hoje, dez meses após o acidente, tenho o prazer de anunciar que os exames feitos depois da terceira sessão de tratamento com células-tronco, ela converteu de lesão completa para lesão incompleta. Isso demonstra que ela não teve secção completa de medula. O que ela teve foi uma contusão, um esmagamento. Hoje ela tem sensibilidade. Com essa mudança, ela passa a ter acesso a outros protocolos, inovadores, todos seguindo pedacinhos de vários centros do mundo.

Ela passou a ter uma sensibilidade na região sacral. As vias estão machucadas, mas ela já tem sensibilidade passando até lá embaixo. Ela já tem sensibilidade fina nos pés. Sabemos o potencial dela. Temos muito trabalho pela frente, mas o estímulo está chegando. Temos que continuar trabalhando para vermos até onde vai a recuperação dela."

Laís Souza

Desejos na volta para casa: "Queria muito ver meus amigos, sentir a temperatura do Brasil, o clima, e comer algumas coisas diferentes, como pão francês e outras coisas 'gordas' (risos). Nos Estados Unidos tem restaurante brasileiro, tem tudo, mas aqui é diferente."

Esperança na recuperação: "Eu falo bastante com a minha psicóloga. Sou muito positiva. Quanto à minha lesão, ainda tem muita adaptação. Foi mais uma forma de eu aceitar a situação em que eu me encontro hoje e encarar. Não vai ter o que fazer se eu não encarar essa situação de corpo e alma. Acho que tenho que abraçar e não olhar para trás, com o plano A de voltar a caminhar ou recuperar algum movimento."

Força de atleta: "A sensação que tenho ainda é de que sou uma atleta. Tenho que encarar a fisioterapia e o meu corpo da mesma forma que eu encarava antes. De cabeça erguida. Sempre forte. Tentar ter uma alimentação boa. Parece que paradinha assim não gasto energia, mas gasto sim. Tenho que comer bem, treinar e fazer a fisioterapia. E manter a cabeça boa também."

Jogos Olímpicos Rio 2016: "Com certeza me imagino bem próxima da ginástica, que é meu esporte predileto, em 2016. É o esporte que eu amo. Quero estar próxima, sim. Ainda brinco com eles que quero entrar andando com eles nesses Jogos. Quero chegar brincando, do jeito que era antes."

Pioneira no tratamento: "Sou muito privilegiada por estar nesse tratamento. É inexplicável o quanto me motiva saber que estou dentro desse tipo de tratamento. E também o fato de saber que isso pode chegar aos brasileiros em algum momento, e pode chegar por mim. Eu fico orgulhosa.

Foto: Rafael Ribeiro/ CBF

Casa: "Estou muito ansiosa. Com certeza eu vou para casa, pois minha família está lá me esperando. Meu pai, meu irmão, minha irmã... A gente ainda está em adaptação para ver onde eu vou ficar, com quem eu vou ficar. Estou bastante ansiosa para encontrar o pessoal. Minha cidade é pequena, muita gente me conhece, sabe que eu estou com saudade e quero ver todo mundo. É uma ansiedade grande."

Adaptação na volta ao Brasil: "Na minha casa ainda não tem muitas mudanças. É uma coisa ou outra que eu vou usar. Por exemplo, uma rampinha para degraus, que eu estava usando em Miami. Provavelmente eu vou usar um carro normal. Vou continuar usando essa cadeira, mas muitas vezes eu vou precisar sair de carro, então devo utilizar uma cadeira normal."

Objetivos e sonhos: "Muitos sonhos ainda continuam os mesmos. Hoje, um deles, como eu disse, é voltar a andar e trazer novidades para o Brasil. Mas eu continuo a mesma Laís. Meu objetivo é trabalhar, evoluir, virar uma mulher mesmo, não sei se de negócios, ou trabalhando com saúde. Conquistando meus sonhos, mas vivendo um dia após o outro, vivendo o presente."

Lei de aposentadoria para atletas: "Eu não sei bem em que pé está. Mas quando eu soube fiquei muito feliz. Quando você está passando por uma situação dessas é uma mão que acaba se estendendo para você. Espero que dê certo. Essa regra de se ter uma lei para os atletas, que não seja só do esporte, faz toda diferença para quem está treinando, quem corre risco, em esportes de muita aventura. Acho que faz toda diferença. É uma segurança para todo mundo."

Hospital nos EUA: "Todo mundo sempre foi muito carinhoso comigo. Foi um momento em que eu estava muito sensível, com muita dor, e recebia palavras motivadoras, dizendo para eu levantar a cabeça e seguir em frente. Eu sempre fui muito descontraída, e isso facilitou a convivência."

Palavras de incentivo: "Quem passa por esse tipo de problema precisa ter muita paciência para encarar. É um processo lento, doloroso. Você sempre sente alguma coisa, uma dorzinha, um incômodo, mas isso vai melhorando com o tempo. A melhor notícia que podíamos ter de um tempo para cá é sobre esses estudos de células-tronco e tratamentos, que vêm crescendo cada vez mais. Tem que levantar a cabeça, seguir em frente, pois não está longe a cura. Não perder a esperança."

Parte psicológica: "Fiquei bastante tempo no hospital. Foram várias fases. Primeiro, comecei a respirar sozinha, depois comer sozinha, me sentir melhor fisicamente. Um passinho a cada semana e fui crescendo com isso também. Eu, como pessoa, e fisicamente, conhecendo esse mundo da cadeira de rodas. Descobrindo que ele é rico e tem muita gente nessa situação. Sempre fui muito espoleta. Nunca fiquei quietinha no meu quarto. Agora, acho que minha maior dificuldade é encarar essa situação de ficar mais quietinha, de ter o meu canto. Às vezes tenho uns momentos mais difíceis, que eu choro, mas, no geral, estou feliz. Vejo que tem uma luz no fim do túnel e eu não devo desistir. Tenho altos e baixos como todo mundo."

Boa recuperação Laís, saúde e muita força de vontade. Você revigora a vida.

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