Rômulo Ávila

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Ex-Villa vibra com zero covid-19 na Austrália

29/03/2021 às 02:18

O brasileiro Adilson Andrade de Melo Júnior comemorou o aniversário de 40 anos no dia 20 deste mês, ao lado da esposa (Amy), das filhas (Esmae 7 anos e Evie 5 anos) e de 70 amigos. Ex-jogador do Villa Nova (atuou no clube entre 95 e 2001), Adilson mora em Melbourne, na Austrália, país que conseguiu quase zerar as infecções e mortes por covid-19 e que vive situação inversa à do Brasil.

“Fiz festa para 70 pessoas. Aqui já tá liberado. No fim de semana que fiz a festa ainda tinha algumas restrições: casas noturnas e bares estavam com limite de 100 e 150 pessoas, dependendo do tamanho da casa”, disse o brasileiro, que também jogou pelas categorias de base do Madureira.

Nascido em Salvador, Adilson já morou em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e está há 14 anos no país da Oceania. Ele não pensa em voltar para o Brasil, em razão da violência e do padrão de vida que conseguiu no exterior. Atualmente, o ex-volante é coordenador de um projeto para crianças vulneráveis e joga em um time semiprofissional. Em seu último clube, ele recebia o equivalente a R$ 700 por partida.

Desde o começo da pandemia, a Austrália registrou 29.239 casos de dovid-19 e 909 mortes pela doença. Com a situação controlada no país, Adilson mostra preocupação com o agravamento da crise por aqui, onde tem amigos e familiares. 

“O Brasil é bem complicado, porque fica essa guerra política no meio da pandemia. Comecei a dar mais atenção quando as notícias começaram a chegar em inglês aqui na Austrália, pelos veículos daqui. Eles não dão tanta cobertura para o Brasil, a não ser que coisas extraordinárias para o bem ou para o mal ocorram. E as notícias que chegam são bem ruins, de que o Brasil não está combatendo, que há conflitos entre a população e que o essencial não está sendo feito pelos governantes. É triste ver a população sofrendo desse jeito, mas a gente tem sempre aquela esperança de que as coisas vão melhorar, de que os governantes vão remar no mesmo barco”, disse. 


Nicó (treinador) Elton, Adilson, Jason e Julio . Agachados: Wagner, Viola, Léo Afonso, Erick, Everton e Claudinho.

Lockdown

O brasileiro explica que os números positivos no combate ao novo coronavírus foram alcançados na Austrália com o respeito da população às medidas duras de restrição, inclusive um rigoroso lockdown. A Austrália tem 25 milhões de habitantes, enquanto o Brasil soma mais de 212 milhões. Com cerca de 22 milhões de habitantes, Minas Gerais tem 23.687 mortes em decorrência da covid-19 e 1.100.575 de infectados, Apesar das diferenças, Adilson acha que a situação no Brasil poderia ser bem melhor. 

“São países diferentes, de tamanhos diferentes, mas quando o governo age e a população ajuda, esse é o resultado”, diz sobre as ações na Austrália.

Adilson conta que, no pior momento da pandemia, o estado de Victoria, onde fica Melbourne, registrou 20 mil dos quase 30 mil casos confirmados no país inteiro.

“Tivemos lockdown completo, podíamos sair de casa duas horas por dia e não podia sair por um raio de cinco quilômetros. Então, foi bem tenso. E isso durou por três, quatro meses. Mas foi o que teve de ser feito para conter o avanço, porque estava crescendo de uma maneira que poderia sair do controle”.

Cloroquina 

Outra diferença apontada pelo ex-jogador do Villa Nova está no uso de medicamentos sem comprovação científica para combater a covid-19, como a cloroquina. “Essa discussão sobre a cloroquina aqui foi encerrada em abril do ano passado”, afirmou. 

Adilson diz que não pensa em voltar para o Brasil

Vida quase normal 

O ex-jogador conta que a vida no país está quase voltando ao normal, inclusive com o uso de máscara sendo retirado e jogos de futebol sendo liberados, assim como o funcionamento quase completo de escritórios e restaurantes. “Já não temos contaminação comunitária há mais de um mês e o estado de Victoria já está há três ou quatro dias sem ninguém internado com covid ou infectado. Estamos retomando a vida a passos largos”. 

Com a situação controlada, o brasileiro explica que a vacinação é realizada de maneira tranquila e gradativa. De acordo com ele, o país é muito rigoroso para aprovar o uso de imunizantes. Somente as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca estão autorizadas na Austrália.

As fronteiras do país estão fechadas. Só podem entrar cidadãos australianos ou residentes e membros imediatos da família. Mesmo assim, todos que chegam por lá precisam cumprir duas semana de quarentena.

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