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Tem um brasileiro preso injustamente na Rússia

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29/10/2020 às 09:52
Tem um brasileiro preso injustamente na Rússia

Isso tem que ser repetido diariamente. Várias vezes. Até que a justiça seja reparada e que Robson tenha de volta sua liberdade.

Robson é um trabalhador que prestava serviços ao jogador Fernando, revelado pelo Grêmio. Com a transferência do atleta para a Rússia, para compor o elenco do Spartak Moscou, Robson e a esposa foram convidados para seguirem com uma nova vida por lá, trabalhando para Fernando e a esposa, Raphaela. Uma foto tirada de dentro do avião revela um sorriso de quem estava animado com o desafio e as novidades.

Acontece que o sogro de Fernando fez a Robson uma encomenda que daria início a um pesadelo. 

O remédio Mytedon — cloridrato de metadona — contém substância proibida na Rússia. Robson, sem saber da ilegalidade e a pedido da sogra de Fernando, que lhe entregou duas caixas do medicamento, tentou entrar na Rússia portando algo que, para as leis locais, é considerado substância entorpecente e, portanto, ilícita.

Mesmo sendo autorizado a entrar no país após longo interrogatório no próprio aeroporto, posteriormente Robson foi preso e permanece detido desde março do ano passado.

Ele responde pelo crime de tráfico internacional de drogas! A pena, ao que consta, pode chegar a 25 anos. 

Fernando e a esposa, cerca de quatro meses depois da prisão de Robson, mudaram-se para a China. O jogador assinou com o Beijing Guoan e desde então nunca mais voltou à Rússia. A defesa do Robson é arcada por Fernando. O sogro, que encomendou o medicamento, apresentou às autoridades russas a receita médica do Brasil, na qual lhe foi prescrito o remédio, mas não chegou a prestar depoimento esclarecendo a sucessão dos fatos. 

Pelo que disse o atleta pelas redes sociais, a informação de que o remédio não pertencia a Robson já é de ciência das autoridades da Rússia, mas não altera o processo, para o qual não importa a quem o remédio se destinaria e sim quem o estava portando ao entrar no país.

Vários jogadores, jornalistas e cidadãos brasileiros tem se mobilizado nas redes sociais, pedindo atuação do Itamaraty em favor de Robson, por vias diplomáticas.

Nessa quarta-feira (28), a história ganhou um novo capítulo. O governo brasileiro entregou ao vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, por meio do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a comissão de Relações Exteriores do Senado, um documento assinado pelo presidente Jair Bolsonaro pedindo a libertação de Robson. 

Considerando que foi um flagrante, que tem enquadramento na lei criminal local e que o fato de o remédio não pertencer a Robson não é relevante para excluir o caráter de crime, as chances de uma condenação, lamentavelmente, são altas.

O absoluto desconhecimento da lei, aliado à boa-fé de Robson podem servir de atenuantes, mas dificilmente servirão para inocentá-lo por completo.

Não existe dúvida sobre o caso, não é necessária uma análise de culpabilidade, uma investigação profunda ou uma pesquisa de opinião. A gente sabe que o Robson é inocente, porque a versão dele para os fatos fez sentido, porque ela foi confirmada pelos terceiros envolvidos no caso (Fernando e o sogro) e, mesmo assim, nada disso ainda importou até o momento. 

O governo brasileiro reconheceu que a questão encontra um entrave na separação dos poderes na Rússia, porque enquanto se tratar de um crime em julgamento o Executivo de lá não pode conceder perdão antecipado. Assim, deve-se esperar que primeiro haja uma sentença, para que somente depois se possa cogitar um perdão. 

E é por isso mesmo que não podemos esquecer do Robson. Porque as chances dele repousam no não esquecimento. As chances de a justiça ser reparada, nessa sequência lamentável de fatos que culminaram na prisão de um inocente trabalhador brasileiro na Rússia, está nas vias da diplomacia. Isso significa que o Estado brasileiro precisa continuar agindo e se importando com o caso e, certamente, a ação e a importância dadas estão e permanecerão diretamente proporcionais ao tanto que a população se importar também. Não nos esqueçamos: tem um brasileiro inocente preso na Rússia.

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