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Fernando Diniz e o caminho (que não é bonito) para o futebol bonito

03/11/2020 às 10:28
Fernando Diniz e o caminho (que não é bonito) para o futebol bonito

Você já ouviu falar no "Dinizismo"?

Boa parte dos leitores, que são assíduos na cobertura da imprensa esportiva brasileira, provavelmente já. Os que se dedicam aos veículos mineiros, talvez não. 

Fala-se, há algum tempo, de um estilo de se jogar futebol diferente de tudo que já se viu no Brasil, comandado pelo técnico Fernando Diniz, no São Paulo.

O país inteiro se espantou, em 2016, com o Audax chegando à final do competitivo Campeonato Paulista (batendo São Paulo e Corinthians em quartas e semis, respectivamente; e perdendo para o Santos, por 1x0, depois de ter empatado o primeiro jogo).

Para um time com orçamento tão modesto e ilustres desconhecidos no plantel, foi algo realmente impressionante, do ponto de vista do resultado. Mas o que impressionava mesmo era a maturidade de jogar.  Como que aqueles anônimos e renegados podiam ter a petulância de sair tocando bola dentro da pequena área do campo de defesa?

Pois bem... eu tenho uma notícia para vocês. E ela não fácil de digerir: o caminho para a consciência tática  no futebol não é, necessariamente, bonito.

O futebol brasileiro, há alguns anos, vicia nossa categorias de base a um jogo que despreza aspectos estratégicos e táticos. Nossos garotos são, há tempos, ensinados a cair no primeiro toque e a ficar se retorcendo no gramado, constrangendo quem assiste. 

Vivemos numa esperança quase que mítica de que, entre uma safra e outra, vai vir um novo craque, um novo possível herdeiro de Pelé, que vai chamar a responsabilidade, desequilibrar e ganhar o hexa.

Acontece que, nessa "entressafra", o mundo inteiro começou a perceber que futebol é "xadrez" e não "damas". É assim que a Croácia monta times competitivos. É assim que a Bélgica - que tem menos habitantes do que a cidade de São Paulo - vira potência mundial.

Fernando Diniz, com altos e baixo, é praticamente o único que faz diferente. 

Aceito todas as críticas de que o jogo nem sempre fica bonito. Aceito todas as críticas dos que dizem que os são-paulinos estão tendo ataques cardíacos nos jogos (mesmo com o time dependendo de si para ter a melhor campanha do primeiro turno).

Essa coluna aqui não é um ode a Fernando Diniz. Essa coluna é para sugerir um reflexão e defender o treinador que tenta, num país absolutamente imediatista, implementar o seu ideário com convicção e coragem.

Não adianta ficar aplaudindo futebol de gringo e ir para a porta do CT protestar porque o treinador está tentando ensinar o goleiro a sair tocando rasteiro pelo meio, na cobrança do tiro de meta.

O "jogo posicional", com rodízio, do Domenec Torrent era meme, virou piada... Hoje, questiona-se se o time do Flamengo de 2020 não é ainda melhor do que o de 2019.

O futebol divertido, a "alegria nas pernas", o lance circense... isso, eternamente, será uma vantagem do brasileiro. Mas fato é que isso - e isso somente - não nos reconduzirá ao topo do futebol mundial. Precisamos de mais. Precisamos de humildade e precisamos aprender. 

Precisamos valorizar Fernando Diniz.

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Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net/Divulgação 

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