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Falsa enfermeira que enganou empresários com vacina chegou a arrecadar R$ 700 mil, mostra inquérito

Segundo a investigação, Cláudia arrecadava os valores da falsa vacinação, em que cobrava, por "duas doses", cerca de R$ 600 por pessoa

18/04/2022 às 06:15
Falsa enfermeira que enganou empresários com vacina chegou a arrecadar R$ 700 mil, mostra inquérito

A falsa enfermeira que enganou empresários de Belo Horizonte ao oferecer supostas vacinas contra a Covid19, no início do ano passado, chegou a arrecadar aproximadamente R$ 700 mil com o esquema, segundo investigação da Polícia Federal. Cláudia Mônica Pinheiro Torres, que se apresentava como profissional de enfermagem mesmo sem ter registro na área, foi denunciada na semana passada pelo MP de Minas pelos crimes de estelionato, associação criminosa, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. 

"Consta ainda dos autos do incluso inquérito policial que, a partir de janeiro de 2021, à medida em que praticavam os delitos de estelionatos e obtinham vantagens indevidas cujo valor total e não corrigido monetariamente foi de aproximadamente R$700.000,00 (setecentos mil reais),
os denunciados tomavam precauções para ocultar, dissimular, reiteradamente, de forma direta e indireta, a origem dos recursos ilícitos, bem como a propriedade de bens e valores obtidos exclusivamente da prática dos ilícitos, convertendo-os em ativos lícitos e os transferindo para contas de terceiros", mostra trecho da denúncia do MPMG. 

Segundo a investigação, Cláudia arrecadava os valores da falsa vacinação, em que cobrava, por "duas doses", cerca de R$ 600 por pessoa, utilizando de contas bancárias próprias e de seus dois filhos para "não despertar atenção do sistema bancário e ocultar sua origem". Centenas de pessoas teriam sido enganadas ao buscarem comprar doses da vacina contra o Novo Coronavírus. Na época do esquema, os imunizantes ainda não haviam chegado em grande volume no Brasil, com a campanha de vacinação priorizando inicialmente idosos e grupos de risco. 

Após o recebimento do dinheiro, os envolvidos no esquema movimentavam os valores transferindo-os entre si e também entre contas diversas do mesmo titular. Há registros de repasses bancários nos valores de até R$ 360 mil. 

Na perícia realizada pela PF no celular do filho da falsa enfermeira, Igor Torres, encontrou-se um diálogo com Cláudia Torres sobre as movimentações bancárias. "No diálogo, em que ele comunica que o banco está lhe enviando mensagens acerca dos depósitos em sua conta: 'Q isso' pergunta CLÁUDIA. IGOR responde “O banco está de olho na sua grana. Kkkk.' CLÁUDIA diz 'Fala p Ricardo falar com o contador pra abrir sua empresa. Aí passamos pra conta empresarial. Ai não podem fazer nd.”

Com parte do dinheiro arrecadado, a falsa enfermeira chegou a comprar um veículo da marca Ford Ecosport por R$ 56 mil, e ainda negociava a compra de um sítio no valor de cerca de R$ 300 mil. 

Além de Cláudia Torres, a falsa enfermeira, também foram indiciados parentes que participaram do esquema. Durante as investigações da Polícia Federal, a corporação concluiu que o companheiro dela, Ricardo Almeida, o filho, Igor Torres, e um amigo que atuou como motorista durante a falsa vacinação, Junio Guimarães, cometeram os crimes de estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O irmão de Cláudia, Wagner Torres, e a filha, Daniele Torres, acabaram indiciados por associação criminosa e lavagem de dinheiro. 

Segundo as investigações, a falsa enfermeira aplicou um golpe em quem tomou a substância aplicada por ela. Durante o inquérito, se constatou que as pessoas que contrataram a Cláudia Torres acabaram recebendo soro fisiológico no lugar da vacina. A investigação realizou operações na casa de Cláudia e encontrou frascos com soro no local. 

Para os investigadores, o mais provável é que as pessoas receberam soro fisiológico no lugar de vacina. Frascos com a substância foram encontrados durante uma operação de busca feita na casa de Cláudia.

Procurada, a defesa de Cláudia Torres e demais indiciados afirmou que não iria se manifestar.

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