Gustavo Lopes

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O mito da Seleção de 1982

30/05/2020 às 03:05

 

A suspensão do futebol fez com que os canais especializados em esportes colocassem nas grades de programação reprises de jogos e, dentre eles, destacou-se a transmissão das partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982.

A Seleção, que para muitos foi uma das melhores da história do futebol, não ganhou a Copa de 1982 e não é conhecida pelas gerações atuais.

Comandada por Telê Santana, a Seleção teve uma vitoriosa turnê pela Europa e tinha como titulares Valdir Peres (São Paulo); Leandro (Flamengo), Oscar (São Paulo), Luizinho (Atlético) e Junior (Flamengo); Toninho Cerezo (Atlético), Falcão (Roma-ITA), Sócrates (Corinthians) e Zico (Flamengo); Éder Aleixo (Atlético) e Serginho Chulapa (São Paulo).

O resto do grupo era composto por: Goleiros - Paulo Sérgio (Botafogo) e Carlos (Ponte Preta); Defensores - Edevaldo (Internacional), Juninho (Ponte Preta), Edinho (Fluminense) e Pedrinho (Vasco da Gama); Meio-campistas - Paulo Isidoro (Grêmio), Batista (Grêmio) e Renato (São Paulo); Atacantes - Roberto Dinamite (Vasco da Gama) e Dirceu (Atlético de Madri).

A equipe de Telê Santana chegou ao Mundial da Espanha como favorita após vencer a Inglaterra, em Wembley, a França, em Paris, e a Alemanha, em Stuttgart.

Ao assistir às partidas daquela Seleção, ao invés de um futebol total, o que se viu foi uma Seleção desequilibrada que venceu União Soviética e Escócia com muita dificuldade, e até ajuda da arbitragem, e teve como grande exibição o jogo contra a Argentina.

Indiscutivelmente, a Seleção de 1982 foi uma grande equipe, tal como a de 1978, 1986, 1954 e 1950. Mas, definitivamente, de longe não é a equipe “cantada” pelos saudosistas. Há um processo saudosista de superestimação daquela equipe.

Assistindo às partidas da Copa de 1982, a Seleção não perdeu para a União Soviética porque dois pênaltis claríssimos em favor dos soviéticos não foram marcados.

Contra a fraca equipe escocesa, a Seleção saiu atrás no placar e depois acabou goleando. A Nova Zelândia, goleada na última partida da primeira fase, era uma das piores seleções daquela Copa, quiçá do mundo.

Contra uma Argentina desunida, a Seleção fez sua melhor partida na Copa. Partida em que o volume de jogo da Argentina fez com que o criticado goleiro Valdir Peres fizesse sua melhor partida com a camisa da Seleção. Houve ainda a não marcação de pênalti em cima de Maradona.

Na partida seguinte, o Brasil foi eliminado pela Itália, que se classificou para a segunda fase aos trancos e barrancos e dali arrancou para conquistar a Copa do Mundo.

Aquela Seleção tinha um goleiro fraco e um centroavante que não era um dos dez melhores do Brasil na época. No meio de campo, a equipe possuía grandes jogadores como Falcão, Sócrates e Zico.

Zico, aliás, é o jogador mais superestimado da história da Seleção Brasileira. O camisa 10 do Flamengo foi um grande jogador e, principalmente, um exemplo de homem. Entretanto, Zico não atingiu grande rendimento na competição mais importante: a Copa do Mundo.

Naturalmente, além de Pelé, Zico foi menos jogador que Garrincha, Maradona, Nilton Santos, Zidane, Beckenbauer, Romário, Ronaldo Fenômeno, Taffarel, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Gérson, Tostão, Rivelino, Paolo Rossi, Iniesta, Casillas e muitos outros. 

Diferentemente de Zico, todos os atletas citados foram decisivos em conquistas de Copas do Mundo. Além disso, praticamente todos foram protagonistas em grandes clubes da Europa, o que lhes conferiu uma projeção internacional muito superior à do atleta brasileiro, que perdeu três Copas e atuou na Udinese, clube sem expressão da Itália.

Aliás, daquela Seleção, o craque maior foi Paulo Roberto Falcão que foi ‘Bola de Prata’ na Copa da Espanha, considerado o terceiro maior jogador do mundo em 1982 e 1983 pela ‘World Soccer’ e, mais tarde, entrou para a história do futebol mundial como “Rei de Roma”.

A Seleção de 1982 definitivamente não é o que os saudosistas apontam. Tal conclusão não se deve exclusivamente pela perda da Copa do Mundo, mas por análises técnicas e desprovidas de emoção. Talvez, se tivessem conquistado a Copa do Mundo, esta Seleção não estaria tão presente no folclore futebolístico mundial.

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