Gustavo Lopes

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Mineira na liga de futebol americano

14/07/2021 às 11:57
Mineira na liga de futebol americano

Conversei com Lara Rouillard, de 30 anos, mineira de Sabinópolis, formada em Letras, com MBA em gestão de negócios e que atualmente cursa gestão esportiva pela PUC Minas. Ela é presidente da Confederação Brasileira de Cheerleadering & Dança (CBCD).

Lara já atuou como cheerleader na Nauset Regional High School, no Get Eagles e no Cruzeiro Esporte Clube. Além disso, atualmente ela é a representante do Brasil na NFL (liga de futebol americano dos Estados Unidos), pois é cheerleader do New England Patriots.

Gustavo: Gostaria que você falasse um pouco sobre a modalidade cheerleading e qual a diferença entre a modalidade competitiva e a atuação dentro de uma liga profissional nos Estados Unidos.

Lara: Primeiramente, agradeço pelo convite, é uma honra muito grande estar aqui. Representar várias culturas realmente tem um significado muito especial para mim. O cheerleading é dividido em algumas ramificações dentro da própria modalidade. Existe aquele mais artístico e o mais competitivo. No Brasil, as duas áreas são trabalhadas. A confederação tem o objetivo de trabalhar a parte de formação da modalidade como um todo. Trabalhamos em conjunto com a CBDE (confederação dos desportes escolares), com a CBDU (confederação dos desportes universitários) e também com os ginásios All Star, que são independentes, ou seja, que não têm vínculo nenhum com times.

As ligas americanas atraem o torcedor, ainda que não estejam interessados na modalidade, pois são verdadeiros eventos, os intervalos são um show. Quais são os passos para se chegar ao posto de cheerleader de uma grande equipe?

É muito interessante falar sobre isso, pois exige muita preparação por trás do uniforme. Cheerleader, que podem ser mulheres ou homens, são verdadeiros atletas. Na minha seletiva passei por analise de currículo e entrevistas virtuais, devido à pandemia. A final aconteceu no Gillette Stadium e bootcamp também. Foram mais de 300 candidatos. Foram selecionados 84 para a final, no Gillette Stadium, e de lá 60 foram para bootcamp durante duas semanas. Após bootcamp, a equipe de 33 foi anunciada no site do Patriots. É preciso muita preparação, dedicação. Eu bati na trave duas vezes e não consegui entrar. Na terceira vez eu consegui. Por isso, nunca desistam dos seus sonhos e não deixem os obstáculos do dia a dia atrapalharem o caminho de vocês.

Qual é o principal papel da cheerleader na NFL?

Cheerleaders são uma extensão da organização para com a comunidade. No meu caso, eu represento o New England Patriots com muito orgulho e muita gratidão dentro da minha comunidade como um todo. Então, o nosso trabalho leva a organização aos nossos torcedores, onde quer que eles estejam. 

Seria correto dizer que vocês são embaixadores?

Sim! Seria muito correto, pois, como eu disse, somos uma extensão do time dentro das nossas comunidades. Estamos presentes em vários eventos e ocasiões representando o Patriots.  

A possibilidade de atletas de países diversos estarem nas equipes fez com que algumas competições internacionais tivessem um apelo muito grande em outros países, como ocorreu quando o Neymar foi para o PSG e o Campeonato Francês passou a ter um apelo tremendo no Brasil. Você acredita que o fato de agora termos uma brasileira nós nos identificaremos mais com a modalidade, inclusive nos outros países que falam português?

Com muita humildade, eu não acho que eu represento somente os países que falam português. Também sou imigrante e represento todos esses que trabalham duro pelo sonho americano. Por isso sou muito grata ao Patriots, por ter me dado a oportunidade de compartilhar esse sonho com outras pessoas, de poder mostrar que é possível. Sim, é muito trabalho e dedicação, abrimos mão de muitas coisas, mas eu só tenho que agradecer por ter essa oportunidade de vestir o uniforme do Patriots. A forma com que eles me tratam mostra que eles valorizam muito meu trabalho. Então, sim, eu acredito que eu posso estender o Patriots não somente às pessoas que falam a língua portuguesa, mas a todos os imigrantes que moram aqui e que torcem pelo Patriots.

Achei interessante você comentar que representa um sonho americano de milhares de imigrantes, muitos que, inclusive, arriscam a vida em nome de um sonho americano. Os Estados Unidos têm uma característica muito boa, que é a de ser a terra das oportunidades. Essa construção do esporte americano, que começa no High School, é muito complicada para os imigrantes. Então, a sua história, para você, que chegou nos EUA aos 14 anos, demonstra para os imigrantes que é possível chegar nos EUA com um sonho americano e romper essas barreiras e chegar em postos outrora exclusivos norte-americanos. Estou certo?

Sim, o Patriots é uma organização muito justa e aberta, onde as oportunidades são dadas a todos. Como imigrante, tendo vindo para cá aos 14 anos de idade, a frase “Do your Job” sempre fez muito sentido para mim. Me sinto muito acolhida pelo time e isso me deixa muito feliz. Além disso, existem várias iniciativas do Patriots que trabalham com essa parte de desigualdade social e, para mim, poder viver esse sonho americano e inspirar outras pessoas realmente tem um significado especial.

Agora, quebrando um pouco a formalidade: eu tenho certeza que muita gente que está acompanhando essa entrevista fica curioso para saber como é a vida de uma cheerleader. Como são as viagens, exercícios físicos, família, alimentação etc. Como é conviver com isso, como são os bastidores?

Tenho aprendido muito nesse pouco tempo que estou na equipe. Espero ter mais experiências incríveis, como ir para o Superbowl em Los Angeles, em fevereiro de 2022. Nossos treinos acontecem no Gillette Stadium. Além de termos acompanhamento físico fora, a alimentação e a mente são áreas que eu cuido muito. Me sinto muito honrada de ser a primeira brasileira do Patriots e de poder compartilhar isso com as pessoas. Fico feliz em saber que isso é uma inspiração para minha filha e para tantas outras crianças.

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