Emanuel Carneiro

Coluna do Emanuel Carneiro

Veja todas as colunas

Viva os campeões estaduais

24/05/2021 às 03:42
Viva os campeões estaduais

No final dos campeonatos estaduais, voltam os questionamentos de sempre. Vale a pena ou não manter a competição no calendário esportivo a cada temporada?

Atlético e América jogaram pela primeira vez em 1915. Lá se vão 106 anos. É a nossa competição mais antiga, geradora das grandes rivalidades clubísticas que permanecem até hoje, geradora das paixões que passaram de avós para pais, filhos e netos. Por esse aspecto, fizeram história.

Um fato importante: na semana das decisões, Atlético, São Paulo e Palmeiras pouparam titulares na Copa Libertadores para não correrem risco nos estaduais.

O que tem complicado é a nossa eterna dificuldade em conciliar as datas do calendário esportivo. Junto com os estaduais, passamos a ter Libertadores e Copa do Brasil. Jogo todo dia com viagens malucas pelo País e em toda a América do Sul e há quase dois anos também convivendo com a covid-19.

Alguns campeonatos estaduais têm fórmulas malucas e o melhor exemplo é o de São Paulo, onde a fórmula de disputa é confusa e com jogos em excesso. Pelo menos o Rio caiu na real e Minas voltou ao que sempre funcionou bem.

Com apenas três meses de jogos, os regionais são a porta de entrada para jogadores, técnicos e pessoal de suporte em dezenas de clubes pelo Brasil afora, alguns deles já centenários. Pensar em campeonatos brasileiros o ano todo é um projeto inexequível e de alto custo. Deixem em paz o campeonato estadual e respeitem os milhares de empregos que ele abriga.

Talvez seja o momento para se abrir uma discussão séria no futebol brasileiro sobre o empobrecimento e as dívidas monstruosas que assaltam os nossos clubes, sejam eles pequenos, médios ou grandes.

A falta de juízo nas contratações, todos querendo títulos e a irresponsabilidade de dirigentes passando sempre a dívida para as gestões seguintes causaram, nos últimos anos, um mal impossível de medir. O tsunami financeiro já pegou gigantes, como Cruzeiro, Vasco e Botafogo. Quais serão os próximos?

Não há milagre à vista. Criamos uma fórmula suicida para sustentação dos clubes, repatriando jogadores com data vencida e vendendo as nossas promessas quando aparece o primeiro dinheiro, seja ele de clubes da Turquia, Romênia, países árabes ou da segunda divisão da Europa.

Já se começa a falar muito em “clube-empresa”. Muito cuidado. “Clube-empresa” é mais fácil de quebrar do que no modelo atual.

Foto: Pedro Souza / Atlético

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Aposta mínima custa R$ 4,50 e pode ser realizada pela internet #itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    São ainda 91.917 casos em acompanhamento e 1.596.917 pessoas conseguiram vencer a doença #itatiaia

    Acessar Link