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Você entende?

Para aprovar as maldades, quem governa conta quase sempre com maioria nas casas legislativas e, como o mau feito é contagiante, não é raro que também os parlamentares apresentem “Frankenstein”.

Fim de ano me mata de medo. É a época em que os governos resolvem aprovar aumento de impostos e outras medidas impopulares porque as pessoas estão envolvidas com as festas, exauridas das emoções de muito trabalho e chateação até não poder mais. Para aprovar as maldades, quem governa conta quase sempre com maioria nas casas legislativas e, como o mau feito é contagiante, não é raro que também os parlamentares apresentem “Frankenstein” – como são chamadas emendas sobre determinado assunto colocadas em projetos que tratam de outros absolutamente diferentes.

Podem esperar para os próximos dias a notícia de que o Congresso Nacional aprovou, à noite, aumento de salário (deles) para vigorar a partir de 2015. E, como há o efeito cascata, salários de deputados estaduais e vereadores do Brasil inteiro vão junto.


Mas, nem sempre os governos disfarçam matérias que contrariam interesse público ou, no mínimo, são ininteligíveis. Há uma proposta do governo de Minas tramitando na Assembleia que cabe nesta caixa. Depois que critiquei no rádio, o assessor do comando geral da Polícia Militar, coronel Alberto Luís, teve a gentileza de me ligar para explicar, mas, deixei claro que continuava sem entender. O que quer o governo? Aumentar o número total de oficiais, na PM, de 2.318 para 3.348 e, concomitantemente, reduzir o de praças de 45.190 para 45.160. Em sua exposição de motivos, o comandante-geral repete as explicações do assessor de que a ideia é adequar a quantidade de cargos por postos e graduações da atual estrutura, principalmente em vista das promoções a serem realizadas anualmente. A mesma intenção inclui o Corpo de Bombeiros que, aprovada a proposta, terá mais 109 oficiais e menos 208 praças.

 Na prática, hoje, as mudanças não significam retirada de soldados das ruas porque há uma defasagem entre o efetivo previsto em lei e o real em mais de 11 mil homens, na PM, o que se repete com os bombeiros.

A questão é simples: estamos tão carentes de polícia na rua que, nesta semana, como viram mais soldados nas esquinas, centenas de pessoas comentaram a sensação de proteção, perguntando se os tempos da Copa haviam voltado; se era algo para valer e durar... Engano; na verdade, perto de 2 mil soldados que estão formando foram chamados a um estágio em Belo Horizonte, porem, a partir de hoje, estão seguindo seu rumo a batalhões do Estado inteiro. 

Se o povo quer polícia e não tem, se o repórter cobra e o secretário de Defesa Social admite que o número de soldados deixe a desejar; se o debate eleitoral aperta e o governador diz que não há recursos, como aceitar que aumentem o número de chefes em detrimento dos que pegam o boi com o chifre. Não entendi. Aliás, tem muita coisa que não entendo como, por exemplo, os tucanos dizendo que a culpa de Aécio perder a eleição é dos mineiros, que não souberam reconhecer o trabalho de 12 anos. Como assim?