Ouça a rádio

Compartilhe

Vivendo e aprendendo

No sábado à tarde, fiquei sabendo da queixa de uma jovem mãe, de que seu bebê, de dois meses, havia sido arrancado de seus braços e levado por um casal de asiáticos, mais um homem que falava português e colocara uma arma contra seu corpo.

No sábado à tarde, fiquei sabendo da queixa de uma jovem mãe, de que seu bebê, de dois meses, havia sido arrancado de seus braços e levado por um casal de asiáticos, mais um homem que falava português e colocara uma arma contra seu corpo. Primeira indagação: como a PM registra uma ocorrência desta magnitude e não avisa imediatamente a imprensa, para que seja feita uma grande corrente, avisando a hotéis, motéis, rodovias, postos de gasolina, aeroportos, enfim, espalhar imediatamente que um carro preto com casal asiático levando um bebê precisa ser parado?

No domingo, fiquei mais assustado: a indiferença da mídia, como se não houvesse um bebê sequestrado e, pior, a reação da maioria dos colegas, de dúvidas em relação à veracidade da história. Claro que, para quem tem alguns anos de estrada, a história era muito frágil, mas, quando uma mãe pede socorro porque levaram seu anjinho, todo mundo tem é de ajudar. Depois de muita pressão, a polícia entrou... Com o que tem de melhor para o caso – o DEOESP. Descoberta a mentira, fica o consolo de que um pai não vai passar o resto da vida longe do filho e sem saber o que aconteceu.

Vamos ao que aprendemos, a começar por reiterar que, quando quer, nossa polícia esclarece... E quando ela não quer, não é porque o agente é preguiçoso ou o delegado relapso; não, é que falta gestão, cheia, cabeça pensante para priorizar, acelerar. E que não é qualquer maluco (a) que vai mentir e ficar por isso mesmo. Aprendemos, também, que quando a gente precisa descobre a diferença entre publicidade e realidade, considerando que 25 por cento das câmeras de nosso “olho vivo” estão estragadas.

Outra coisa, que eu já sabia, mas, agora, tenho certeza: nós, jornalistas, gostamos mesmo é de notícia ruim; estávamos apáticos na hora de ajudar a mãe, pressionar as autoridades, ir atrás do bebê, mas, quando descobrimos o escândalo, abrimos todas as manchetes. Por fim, o melhor ensinamento é o de que não dá mais para adiar o grande debate sobre as penas alternativas. Afinal, essa mãe não é bandida - é criminosa. Como não temos cadeia para todos, a prioridade é para assaltantes, estupradores, os bandidos, recalcitrantes no crime.

Vítima de depressão pós-parto, psicopata, enfim, qual é a doença que ela tem eu não sei, não sou especialista, mas, para pessoas portadoras de sofrimento mental como ela, temos de aplicar pena alternativa. Imediata. Exemplo? Colocá-la na Odete Valadares ou na Sofia Feldman, maternidades especializadas em partos de alto risco para pobres. Ajudando aquelas mulheres que mal têm o que comer a enfrentar a morte de perto para terem seus filhos, ela seguramente vai dar mais valor à vida, ficará mais humana e, quem sabe, até mãe de verdade, como a leoa, a galinha e a cadela são na defesa de suas crias.