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Viva o Dia da Feijoada!

Viva o Dia da Feijoada!

Deveria falar hoje sobre o depoimento de Demóstenes, aquele cara de pau, ou a investida de Lula sobre a mais alta corte da justiça brasileira, ou, quem sabe, sobre policiais militares que estão estuprando e roubando. Não aguento tanta notícia ruim. Falemos sobre outra encrenca. Durante toda a semana passada ouvi críticas à comemoração, em Belo Horizonte, 18 de maio, do Dia Municipal da Feijoada. Fala-se de tudo contra a lei, contra seu autor, o vereador Edinho do Açougue e contra a Câmara Municipal. Quando os eleitos por nós cismam de se dar um aumento de 60 por cento, me junto aos críticos. Por outro lado, no dia a dia, vejo excesso de má vontade com o Legislativo. E esse é um bom exemplo. Primeiro, pergunto: qual é o mal que faz à cidade votar uma lei como essa? Não me venham com a cantilena de que poderiam estar cuidado de coisas mais importantes… Tudo que diz respeito às pessoas que moram numa cidade é importante. E a culinária, a cultura gastronômica também. Será que os críticos sabem a importância da feijoada em nossa história? Que sua origem está nos costumes dos escravos? Que, àquela época dura da escravidão, os senhores não comiam as partes menos nobres do porco, como orelhas, rabos ou pés e, assim, como os escravos se alimentavam apenas com cereais, como milho e feijão, aproveitaram a sobra para fazer algo diferente, juntando tudo numa panela e adicionando água, sal e pimentas diversas? Por falar em coisa boa, por que a gente não pega o limão (que é a implicância) e faz uma limonada, aproveitando a data, que é próxima daquela em que celebramos o fim da escravidão (13 de maio) para promover uma grande discussão na sociedade, especialmente nas escolas, e, assim, evitar a repetição deste crime hediondo contra a humanidade? O Dia Municipal da Feijoada não resulta em um centavo de prejuízo para os cofres públicos, mas é uma bela oportunidade para que João Dias, Acyr Antão, Hamilton Gangana, coronel Jonas e tantos outros mineiros de valor possam se reunir em torno deste prato tipicamente brasileiro. Vamos deixar a chatice de lado e festejar a vida, aproveitando essa época fria com uma pinga da boa e um belíssimo prato de feijoada… O colesterol a gente queima passeando no Mercado Central ou caminhando para fugir do trânsito engarrafado, a greve do metrô e a raiva que o mesmo Legislativo nos faz quando se dobra a um Cachoeira…