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Viaduto da verdade

De repente, quem passa por lá, vê a homenagem: “Viaduto Walduck Wanderley” . É claro que a maioria das pessoas deve pensar: quem é ele?

30/01/2015 às 09:14

O viaduto da Avenida João Samaha sobre a Avenida D. Pedro I, no Bairro São João Batista, em Belo Horizonte, deveria ser alvo das atenções dos sociólogos e antropólogos brasileiros porque ele explica o país melhor que qualquer livro de história. Naquele viaduto, uma placa recém-colocada dá a medida exata de como somos divididos enquanto gente no país: há uma parte composta pelos que compõem a elite desde 1.500, acrescida dos novos ricos, e o resto do país.

De repente, quem passa por lá, vê a homenagem: “Viaduto Walduck Wanderley” . É claro que a maioria das pessoas deve pensar: quem é ele? Ou, quem foi esse senhor para merecer o nome ali? Explico: ele foi um homem que enricou trabalhando na área da construção, que tem seus méritos, mas, em entrevista à Revista Exame em 1997, confirmou que sua rotina incluía financiar campanhas políticas e emprestar avião para aos amigos poderosos. Quem vive assim não é o rico que muitos (incluindo esse escriba) tratam como grandes homens. Mas, como a Cowan conseguiu escapar de crises e continuou amiga dos palácios, ele ganhou muito dinheiro. E se gabava de gastar 200 mil reais por mês dizendo que tinha prazer, entre outras coisas, de descer a Afonso Pena a 20 quilômetros por hora para mostrar a todos a bela Mercedes.

Dariam o nome de Walduck a um viaduto que seria construído na Antônio Carlos, entrada do Mineirão. Mas, entre a aprovação da lei e a colocação da placa, morreu o ex-vice-presidente José Alencar e, como convém ao mundo dos poderosos, empurraram o Waldcuck lá para a Avenida Pedro I. Só que, entre o empurrão e a nova placa, tivemos aquela vergonhosa queda do outro viaduto... Bem ao lado deste que, agora, ostenta o nome do dono da construtora que fez o tal Batalha dos Guararapes. 


Fico imaginando as famílias de Hanna Cristina dos Santos e Charles Moreira do Nascimento. Ela tinha 24 anos, dirigia um micro-ônibus; ele tinha 25 e estava dentro de um automóvel. Foram esmagados. Até hoje, nem indenização, nem explicação, nem visita de vereador ou qualquer representante dos Direitos Humanos. Nem o inquérito policial sobre a queda do viaduto ficou pronto.
Essa doeu até na sepultura do falecido.

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