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Vexame tem preço

O prefeito Márcio Lacerda escapou, mas, se o Ministério Público assim entender, poderá ser responsabilizado na área civil.

06/05/2015 às 11:08

“Todo ato tem de ter consequência”. A frase, do psicanalista francês Jacques Lacan, deveria ser estampada numa faixa bem na esquina de avenidas Pedro I e General Olímpio Mourão Filho. Afinal, não se pode admitir a queda de um viaduto em pleno século 21, no meio de via das mais movimentadas, que o acidente mate duas pessoas, deixe dezenas de feridos, envergonhe a cidade e o país e fique tudo por isso mesmo. A Polícia Civil cumpriu seu papel e deu resposta à altura: o ex-secretário de Obras da Prefeitura, José Lauro Terror, e outras 18 pessoas foram indiciadas por homicídio por dolo eventual, 23 tentativas de homicídio e crime de desabamento. O prefeito Márcio Lacerda escapou, mas, se o Ministério Público assim entender, poderá ser responsabilizado na área civil.

O delegado Hugo e Silva confirmou algumas informações veiculadas neste espaço semanas atrás: “Os acusados tiveram conhecimento prévio, foram avisados sobre falhas graves no projeto inicial, mas, havia a pressa para cumprir o cronograma da Copa do Mundo”. O inquérito é apresentando cerca de 300 dias após a abertura dos trabalhos; tem mais de 1.200 páginas; mais de 80 pessoas foram ouvidas. O material para o Ministério Público de Minas Gerais, que irá analisar o caso e decidir se apresenta o caso à Justiça ou arquiva. 

Portanto, devagar com o andor porque o que temos agora é um relatório apontando culpados que somente serão condenados após longo processo, que começa com a denúncia, pelo Ministério Público, o acolhimento pela Justiça e todo o rito de audiências, acusação, defesa e julgamento. Que, com quase toda certeza, vai se dar no Tribunal do Juri, dada a acusação de homicídio. 

O que importa, nesse momento, é que as famílias dos dois mortos e dos feridos vejam a Justiça agindo e nós outros possamos acreditar que essa história de construir viaduto com pouca ferragem, sem projeto, sem fiscalização, de qualquer jeito, para depois escorar (se não cair antes), é coisa do passado. Inesquecível passado.

As ações criminais são apenas parte das consequências. É preciso cobrar o prejuízo, com juros, multa, correção e rigor… E aplicar o dinheiro em algo mais útil que construir uma trincheira naquele local, levando mais desassossego para os moradores e sangrando a ferida da nossa dignidade. Vamos virar a página, sem esquecer a lição… Que deverá ser ensinada aos filhos, com o lembrete de que o mal feito sempre manda a fatura.

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