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Vergonha de ser brasileira

“... No quinto dia de viagem, já saindo da Armênia a caminho da Geórgia, sofri um acidente ao descer do ônibus. Bati a cabeça numa pedra, e o corte foi horrível...."

22/06/2015 às 11:04

Esse é o título de um texto escrito por uma mineira, cujo marido é nosso leitor. Ela estava viajando pelo exterior, até que...

“... No quinto dia de viagem, já saindo da Armênia a caminho da Geórgia, sofri um acidente ao descer do ônibus. Bati a cabeça numa pedra, e o corte foi horrível. Nunca vi tanto sangue em mim e em quem me socorreu. Um senhor que passava pelo local me levou ao hospital acompanhado de uma colega e da guia local. Era o interior do interior de um país de que poucos brasileiros já ouviram falar. Chegamos ao pequeno hospital, já acompanhados da polícia local, e fui atendida imediatamente. Parecia que só existia eu. E não há que se falar em seguro assistencial, que achamos por bem não acionar para não atrasar o atendimento, pois eu estava perdendo muito sangue. Em menos de uma hora eu já havia sido socorrida, os pontos dados, curativos feitos, RX realizados, consulta com o médico com a assessoria e tradução da guia local. 

Após o atendimento, fui prestar esclarecimentos à polícia, que precisava descartar um possível ‘crime’, caso eu houvesse sido empurrada na descida do ônibus. O mesmo senhor que me levou ao hospital estava lá me esperando. Levou-nos à sua casa, onde troquei de roupa, bebemos um café e ele ainda me ofereceu três garrafas do famoso conhaque armênio de presente. Nos dias seguintes, era preciso fazer curativos, assepsia e, já na Geórgia, eu continuei indo aos hospitais para tais atendimentos. Tanto em Tblisi, a capital, quanto em Kasbegi, no interior do interior, fui atendida prontamente, sem pagar absolutamente nada. No destino final, depois de dez dias do acidente, fui ao hospital de Baku, capital do Azerbaijão, para tirar os pontos. O atendimento foi tão bom quanto os anteriores, mas o médico achou melhor que eu voltasse ao Brasil com os pontos, pois temia novo sangramento em uma viagem aérea tão longa. 

Fiquei preocupada, pois sabia o que me esperava no Brasil. O médico me receitou quatro remédios, que eu comprei lá, ao preço total de US$ 7,80 (analgésico, antisséptico, uma espécie de mercurocromo e uma pomada). Pelo primeiro atendimento, eu paguei US$ 30,00.No dia seguinte à chegada ao Brasil, procurei o hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte e fui informada de que eles não tiravam pontos (deveria ter procurado um açougue?). Telefonei ao departamento médico do TJMG, onde trabalho, e uma colega me disse que, caso os pontos não estivessem muito agarrados, devido à demora, ela mesmo tiraria, porque numa UPA (em greve), eu passaria o dia sem ser atendida. Assim fiz, e a enfermeira fez o grande obséquio de retirar os pontos e, desde então, eu estou às voltas com exames neurológicos, para descartar possíveis sequelas, enfrentando toda a costumeira burocracia do sistema de saúde brasileiro. É muito triste relatar tudo isso, principalmente tendo a certeza de que, se tivesse acontecido no Brasil, eu ainda estaria esperando para ser atendida. Qual será a razão?

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