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Vergonha

Erro humano de cálculo, sem intenções suspeitas, não pode ter sido. Nos três projetos? Não é plausível, em 2015, com o computador na mesa... Não! Só pode ser primeiro de abril!

Sempre que alguém fala mal de Belo Horizonte, especialmente se longe das montanhas de Minas, saio em defesa da terrinha na hora. Mas, como morador, cidadão honorário e apaixonado por Beagá, tenho direito de externar meu sentimento de que é uma roça grande, digna de risos por parte do mundo inteiro. Ou algum outro lugar do planeta conseguiu a façanha de desmoralizar a engenharia, a lógica, a matemática e princípios mais elementares que devem permear a obra pública? Como a gente faz três viadutos pequenos e simples, um cai; outro ficou sem uso por meses por medo de desabar e o terceiro está agora escorado para não descer um mundo de concreto sobre a cabeça de quem paga imposto.

Impressionante como o Estado que ficou famoso com a construção de grandes obras no exterior quatro décadas atrás assiste agora esse espetáculo do inacreditável, sem reação à altura por parte de nosso prefeito, nossos vereadores, nossa sociedade. Que vexame! Que vergonha! Pior é que, nove meses depois, não temos o inquérito policial para apontar os responsáveis pela queda do “Batalha dos Guararapes” e a nossa Câmara Municipal adota postura de subserviência tão grande a ponto de o vereador Juninho Paim ter dito ontem, a Wellington Magalhães na frente de Márcio Lacerda: “Deixe de ser assessor do prefeito e aja como presidente do poder legislativo!”.

Um passarinho me contou que dentro de dez dias o delegado Hugo vai enviar o inquérito de 1.200 páginas à Justiça e deverá indiciar 10 das 80 pessoas que ouviu ao longo dos longos 9 meses. Queira Deus que seja verdade e que a gente tenha pelo menos a esperança de que a morte de duas pessoas, as feridas – no corpo e na alma – de tantas outras e o maior vexame da Copa do Mundo no Brasil não fiquem sem resposta. Tomara que a Sociedade Mineira dos Engenheiros, o CREA, todos os que creem na engenharia se unam para responder a uma pergunta básica: erraram por que tinham de economizar na ferragem e no concreto para lubrificar alguma campanha política ou erraram por que a empreiteira queria ganhar mais? Erro humano de cálculo, sem intenções suspeitas, não pode ter sido. Nos três projetos? Não é plausível, em 2015, com o computador na mesa... Não! Só pode ser primeiro de abril!