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Vamos homenagear Mandela?

Quanto mais vivo, mais descubro que não faço parte de grupo algum. Ou melhor, talvez integre a turma da indignação, quem sabe a tribo dos rebeldes sem causa...

09/12/2013 às 09:54

Quanto mais vivo, mais descubro que não faço parte de grupo algum. Ou melhor, talvez integre a turma da indignação, quem sabe a tribo dos rebeldes sem causa... Em verdade, embora tenha sido incluído na relação dos “jornalistas amigos das crianças”, eu sou a favor do trabalho a partir dos 12 anos, o que, para muitos, é o fim do mundo. Sou da chamada classe média, mas, não sou contra Lula (nem a favor, apenas vejo coisas boas e ruins no período dele e da Dilma) o que causa problemas até para minhas filhas nas suas relações. Agora, que o Nelson Mandela morreu, penso que deveríamos homenageá-lo aumentando as cotas no Brasil e, aí, de novo, vou arrumar encrenca.

Vamos por etapa. Posso defender o trabalho das crianças a partir dos 12 anos porque comecei aos 11. E isto não acabou comigo. Claro que não falo de exploração, mas, de algo decente, apropriado, como boy de órgão público ou servidor de café em empresa, trabalhando apenas meio horário e reservando o restante do dia para estudar. Ah, mas, você acha que alguém consegue estudar, além de trabalhar seis horas por dia? Sim. Eu trabalhava dez, doze, e conseguia. Claro que o melhor dos mundos é só estudar e brincar, mas, na impossibilidade, uma atividade laboral, devidamente acompanhada, só faz bem. É melhor que fumar maconha. E sobre o Lula? É verdade que ele se tornou o segundo maior humorista cego do Brasil, perdendo apenas para o Geraldo Magela, porque não viu nada das safadezas de Palocci, Zé Dirceu e tantos outros, mas, não posso negar que ampliou as chances dos pobres, retirou milhões da fome e mostrou-se sábio ao livrar o país do FMI não expulsando o fundo, mas, pagando a dívida.

Por fim, Mandela. Os que têm emprego, casa própria, dois carros em casa, filhos em boa escola, como eu, odeiam a palavra “cotas”. Sou a favor. Absolutamente a favor. E posso falar porque, quando jovem, não consegui entrar em escolas públicas e tive de pagar. Depois, gastei pequena fortuna para formar uma filha em faculdade particular de Medicina e, agora que a outra estuda em ótima escola particular, com chances reais de passar no vestibular da tão sonhada UFMG, deveria odiar que um pretinho, um índio ou um pobre de escola pública venha a roubar sua vaga, num futuro próximo, só por causa das cotas. E o discurso que usaria seria simples: “Precisamos melhorar é a educação”. Eu acredito nisso. De verdade. Tanto que, orgulhoso, faço parte da Conspiração Mineira pela Educação. Mas, a estrada que um dia nos levará à meritocracia é longa. Até lá, vamos abrir espaço para que talentosos que não tiveram nossas oportunidades cheguem à universidade. Chega de comemorar que temos uma mulher presidente e um negro no topo da justiça. Aos que pensam de outra maneira meus respeitos e uma das frases de Mandela: “A morte é inevitável; então, cumpro minha missão para que, quando ela chegar, possa dormir tranqüilo na eternidade”.

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