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Um ano depois do câncer

Um ano depois do câncer

A doença ainda é um tabu. Até porque, não se conhece meios de preveni-la. O bom é que hoje já não nos referimos a ela como nossos pais faziam, se recusando a falar o nome e apenas insinuando “aquela doença...” Mas, converse com um especialista e ele garantirá que o câncer já pode ser considerado como diabetes ou pressão alta, enfermidades que, uma vez instaladas, exigirão cuidados para o resto da vida, mas, monitoradas, estarão sob controle e seus portadores morrerão “com elas”, mas não “delas”. Há um ano eu estava no olho do furacão. Na segunda quinzena de outubro, após a segunda biópsia e dois anos de investigações, o médico confirmou o câncer de próstata. Era um momento dos mais inoportunos porque acabara de assumir novo desafio profissional – acumular, diariamente, um programa de televisão ao vivo à minha já estafante rotina de radialista. Justamente na semana de gravação dos pilotos, na antevéspera da estreia. O urologista, Marcelo Salim, deu a palavra tranquilizadora: “Não é o fim do mundo: comece a nova jornada e vamos programar a cirurgia para dezembro”. Como todo cidadão deve fazer nessa hora, além de manter a calma, falei sobre o assunto com um monte de amigos, até que um deles, Henrique Salvador, do Hospital Mater Dei, apresentou-me Ernani Bronzati, do serviço de radioterapia daquela casa. Após exames e consultas, definimos que faria o tratamento combinado de seções de tele-terapia (aplicações externas, diretamente na área atingida) com a braquiterapia (coloca-se uma placa na região do períneo, instala-se um número previamente calculado de agulhas na próstata que, ligadas a uma máquina, levam doses fortes de irídio até as células doentes). Não faltei ao serviço um só dia sequer. Não fiquei desesperado um só minuto. Não tive medo da morte nem no sonho. E fiz questão de tornar público o meu caso a fim de contribuir para que outros homens façam a prevenção, pois, afinal, não custa repetir que, quanto mais cedo é descoberta a doença, maiores são as chances de cura. É proibido para qualquer homem com mais de 40 anos ficar sem fazer exames de sangue e enfrentar o toque retal. Ainda estou naquele período de acompanhamento, mas, com a competência dos médicos, a inteligência humana transformada em máquinas moderníssimas e a graça de Deus, os resultados de PSA são animadores. Viva o otimismo, viva a fé, viva o renascer, viva o Ano Novo!