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Um ano de pandemônio

Há exatamente um ano fui comunicado por meus chefes, da Itatiaia e da Record, de que deveria trabalhar em casa, até segunda ordem, pelo fato de estar no chamado “grupo de risco”, sob o olhar da pandemia.

Não queria acreditar que seria duradouro, que causaria muitos estragos e revelaria o egoísmo, a incompetência e a maldade humana. Hoje, acho que estamos vivendo é um pandemônio, uma confusão, uma reunião de pessoas perdidas e sem saber o que fazer.

No começo – eu, com esse jeito esperançoso de ser – acreditei que seria algo temporário, quem sabe dois ou três meses. Depois, lá por agosto, passei a alimentar a expectativa de que seria vacinado até outubro – mês de aniversário.

E veio Natal, Ano Novo e a pandemia vai e volta, mata gente conhecida da gente, deixa sequelas na gente e nos outros e, agora, quando acreditávamos estar no fim, parece que é o olho do furacão. Nunca tivemos tanto medo.

A falta de leitos de urgência é real, fala-se até em falta de caixão e os que governam continuam batendo cabeças, dando exemplos de vaidade, incompetência e falta de foco.

Então, resta pegar com Deus, qualquer que seja a sua fé, e valorizar as coisas que valem a pena no isolamento, no distanciamento e no medo: curtir mais a família, apreciar os pássaros, cultivar uma horta, ver a fruta amadurecer, consertar aquela torneira que vaza há meses.

Ou seja, valorizar as coisas simples que, na verdade, são as que contam, são verdadeiras... No mais, o carrão chique não pode ser mostrado, a bolsa francesa não desfila com a dona e, tendo ou não dinheiro você não vai a Londres porque Londres não quer te receber.

Resumindo a prosa: a pandemia, transformada por nós em pandemônio, mostrou que somos do tamanho da titica do cavalo do bandido.