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'Tragédia e renascimento'

“Estamos de luto pelos que perderam a vida e pelos sofrimentos espirituais e materiais provocados pela catástrofe ocorrida em Bento...

23/12/2015 às 02:54

O amigo Roque Camêllo, presidente da Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB/MG e da Casa de Cultura - Academia Marianense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais escreveu texto sobre “a morte e a vida de Bento Rodrigues” que quero dividir com todos:

Estamos de luto pelos que perderam a vida e pelos sofrimentos espirituais e materiais provocados pela catástrofe ocorrida em Bento Rodrigues, em 5 de novembro de 2015. Rompeu-se a barragem de minério do Fundão, arrasando o subdistrito de Bento Rodrigues e atingindo Bicas, Paracatu, Campinas e a cidade de Barra Longa. A lama correndo pelos Rios Gualaxo do Norte, Carmo e Piranga, alcançou o Rio Doce rumo ao Espírito Santo, com prejuízos incalculáveis à natureza. A 24kms do centro urbano, a tragédia riscou do mapa municipal Bento Rodrigues, bucólica vila do século XVIII, ceifou vidas e levou centenas de pessoas à penúria da perda total de bens materiais e imateriais. Jamais se falou tanto de Mariana na Imprensa Nacional e Mundial. Lamentavelmente não foi para abordar a importância da primaz de Minas Gerais para a Nação, mostrando seus monumentos e a saga de um povo que vem construindo os caminhos da Pátria, há mais 300 anos. Historicamente mineradora, não deveria continuar refém dessa quase única atividade econômica. O turismo e sua vocação universitária dariam ótima resposta.

A mídia não mostra seu belo casario, praças, Igrejas do século XVIII, importantes equipamentos culturais como museus, as corporações musicais, o Órgão da Sé, o único Arp Schnitger fora da Europa, e seu povo acolhedor. O momento é de nós nos mantermos unidos para amenizar o sofrimento de tantas pessoas e lutarmos para isto não se repetir. Fique a lição inclusive para os Governos que precisam se equipar com um corpo técnico à altura para fiscalizar com eficiência, uma das funções primordiais do Estado. A tristeza é incalculável para todos. Atingiu-me diretamente porque cresci no Piteiro, sítio a pouca distância da vila de Bento Rodrigues, onde todos éramos mais do que amigos, irmãos. Em razão disto, solicitou-me ser seu porta-voz Filomeno Silva que lá nasceu e vive, há 82 anos. Líder comunitário, seguia o pai cuidando da Igreja de São Bento, hoje inexistente. Homem respeitado e querido, a memória viva do local. Completou sua bela idade, num leito do Hospital Madre Tereza de Belo Horizonte, após sofrer infarto vendo destruída sua amada vila. Pediu-me ajudá-lo a divulgar seu desejo. Caso o antigo lugar não seja mais viável, que a Samarco reconstrua o distrito do Bento, ali perto, no Piteiro, pertencente à própria empresa. Segundo Filomeno, o indicado fica num alto com topografia favorável e tem diversas nascentes e água pura. Ele tem suas razões porque conhece cada canto daquele abençoado chão. Com sua sabedoria de vida, explica que, na área sugerida, voltará a alegria de todos levada pela lama para um mundo desconhecido. Querem ter seus vizinhos e sua vila reconstruída na qual seus olhos, das crianças e dos adultos, encontrarão a felicidade, o verde da natureza embalará a esperança, o murmúrio das águas afagará os corações. Os pássaros baterão livres suas asas e os renascidos agradecerão a solidariedade de tantos.

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