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Tempos de alegria, momentos de perigo

Tempos de alegria, momentos de perigo

A combinação de festa junina, férias escolares, ventos favoráveis à pipa e, ainda por cima, Copa do Mundo, cria um clima de alegria capaz de incendiar a já característica festeira do povo brasileiro. O chefe do setor de Queimados do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, Carlos Eduardo Leão, pede apenas para que as comemorações sejam permeadas de cuidado, para evitar tragédias. Especialmente, cuidado com fogos e álcool. Nos dois andares dedicados a vítimas de queimaduras no HPS estão bons e tristes exemplos de como precisamos dosar a festa, para não chorar em hora indevida. E o médico adverte: bastam alguns segundos de desatenção para que o pior aconteça. Ele pede que evitem soltar fogos de artifício em meio a multidões ou em direção a residências e que as pessoas já alcoolizadas não fiquem responsáveis por manusear churrasqueiras. Há outras preocupações como o comportamento dentro dos carros, nos quais jovens se colocam sobre o teto, colocam bandeiras no vidro traseiro ou mesmo passeiam com parte do corpo para fora. Como a época também é de festas juninas, o cuidado com as fogueiras e as bebidas quentes deve ser permanente: aquela velha história de andar sobre as brasas, nem pensar! E, por falar em tragédia, o médico faz mais um apelo para que as pessoas não pensem em auto-extermínio através do fogo: “São queimaduras horríveis que, muitas vezes, não levam à morte, mas deixam as pessoas com seqüelas indescritíveis de tão feias e dolorosas; não é verdade que o fogo purifica, que as pessoas serão imoladas, não há como explicar casos como o de uma moça de 20 anos que está agonizando em nosso centro e é nem que 19% de nossos pacientes tenham tentado o suicídio”.