Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Supremo vota outra lei do sofá

As políticas públicas são espécie de monopólio do Estado federal. O deputado e o senador passam a lobistas, fazendo o serviço de intermediação entre o poder central e as unidades da federação

11/12/2013 às 10:09

Os que vivem da política estarão de olho hoje no plenário do Supremo Tribunal Federal, que vota Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil, no sentido da proibição de doação, pelas empresas, de recursos para as campanhas eleitorais. Francamente. Acho que o STF tem mais o que fazer. O problema é mais embaixo, como afirma o professor de ética e filosofia da Universidade Estadual de Campinas, Roberto Romano. Tal qual foi idealizado no século XVII, assumindo as tarefas de política, polícia, exército, cobrador de impostos e estabelecer as normas jurídicas, não previa nações tão grandes, tão complexas como o Brasil. Assim, com tanto poder no governo federal e sem a experiência de cidadania e democracia interna, fica tudo centralizado em Brasília.

As políticas públicas são espécie de monopólio do Estado federal. O deputado e o senador passam a lobistas, fazendo o serviço de intermediação entre o poder central e as unidades da federação... Aí, temos máfia das ambulâncias e tantas outras com a mesma característica: o parlamentar consegue a verba e já tem quem fornecerá o serviço, quase sempre por preço superior ao do mercado para que possa sobrar dinheiro. Pior é a relação promíscua de congressistas desprovidos de caráter e seus interesses escusos com empresas e grupos econômicos. Alguém acha que a proibição da doação de uma grande mineradora vai impedi-la de utilizar-se de um parlamentar safado para defesa de seus interesses?

Então, proibir que o dono de uma empresinha do Simples ajude o  vizinho no qual ele acredita, é o caminho? É como proibir cerveja no estádio de futebol, limitar o saque no caixa eletrônico ou pedir a população para evitar as ruas... Melhor, é como tirar o sofá da sala para que a esposa infiel não receba mais o amante. O problema é outro. É controlar gastos, vigiar declarações de renda, verificar sinais exteriores de riqueza e, sobretudo, apertar o cerco em cima dos partidos. Alguns deles estão aí ha 30 anos, só servindo para os interesses de seus caciques e, como diz o professor Romano, só quando alguém contraria um chefão como aconteceu com Roberto Jefferson do PTB é que o escândalo vem à tona. Um exemplo? Confira a história do PC do B e a ação dos seus deputados, tanto no Congresso quanto na Assembleia de Minas. Outro exemplo: por que a gente vai encerrar 2013 sem o bendito marco regulatório da mineração? Que interesses movem os que conduzem o processo no Congresso? E o prejuízo que o Estado leva? E o governador, que reclama, reclama, mas não tem forças para exigir postura da bancada? Minerar é preciso... Mas, quem vai cuidar de Brumadinho quando só restar o buraco? Aliás, quem cuida de Itabira? Foi o minério ou foram os homens que, em poucos anos, transformaram o recém-criado município de São Joaquim de Bicas no mais violento da região metropolitana? A gente vai levando, a gente vai levando...

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    E você? Emagreceu? Bebeu muito? Conte nos comentários! #Itatiaia https://www.itatiaia.com.br/noticia/brasileiro-bebeu-mais-ganhou-peso-e-fez-menos-exercicio-fisico-na-pand...

    Acessar Link