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Suprema esperança

Suprema esperança

Já falei a respeito, mas preciso repetir: dá um orgulho danado acompanhar o julgamento do mensalão. Os nossos ministros do Supremo Tribunal Federal mostram-se preparados e dispostos a dar um basta à onda de impunidade que tornou-se cultura neste país nos seus 512 anos... Isto mesmo, há 512 anos! Ou não há registros históricos de nepotismo, desmandos e falta de correção desde o descobrimento? Como é bom bom ouvir o relator, Joaquim Barbosa, ainda que, às vezes, pareça rude demais com os colegas que divergem? E o revisor, Lewandowski, com a coragem de divergir, mas convincente ao dizer porque não concorda. Há outros, como o discreto Celso de Mello, que surpreendem pela contundência: “Estes atos de corrupção significam tentativa imoral e penalmente ilícita de manipular criminosamente o processo democrático”. Outra dele: “Eu entendo que o Ministério Público expôs na denúncia eventos delituosos impregnados de extrema gravidade (…) que culminaram em verdadeiro assalto à administração pública”. E, chega a ser emocionante, ouvir do mesmo ministro: “O Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem admite o poder que se deixa corromper”. Agora, que o julgamento vai chegar ao núcleo mais poderoso, a turma da cúpula do PT à época, com José Dirceu, Genuíno e Delúbio, fica aquele pessimismo, justificado por nossa história, de que não haverá consequências para quem pôs a mão no dinheiro, a gente se anima com a afirmação do presidente Ayres de Brito que parece, propositadamente, antecipar o resultado sem fazê-lo cabalmente: “É praticamente impossível não saber que lidar com Marcos Valério seria participar de um sofisticado esquema de corrupção, lavagem de capitais e formação de quadrilha, para dizer o mínimo”. Que cidadão qualificado e de oratória irretocável nosso presidente da mais alta corte! Dizem que otimista demais é bobo; então, sou um otário que está babando de felicidade com o STF e convicto, desde o início, de que haverá sim cadeia para os envolvidos... Se for por um dia, sobretudo se houver algemas, já estarei de alma lavada. E não é por ódio, inveja ou despeito por não ser capaz de enricar como eles... É desejo sincero de quem viu o pai morrer de tristeza porque o Collor tomou o dinheiro dele; de quem não tolera mais tanta roubalheira escancarada e sabe que, se a gente conseguir diminuir os ralos, investir na educação e gostar mais da nossa bandeira, seremos o carro-chefe do mundo.