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Suicídio: falar ou não?

Na quarta-feira, o mundo respeitou um Dia de Prevenção ao Suicídio e não faltaram discussões sobre o tema.

12/09/2014 às 10:08

Um assunto proibido na maioria das rodas ficou em destaque nas principais publicações durante esta semana. Na quarta-feira, o mundo respeitou um Dia de Prevenção ao Suicídio e não faltaram discussões sobre o tema, especialmente por causa de pesquisa recém-divulgada pela Organização Mundial da Saúde, segundo a qual mais de 800 mil pessoas morrem por ano e 75 por cento dos casos são registrados em países emergentes e pobres. É o primeiro estudo da OMS em mais de 50 anos de história, coincidentemente mais ou menos o mesmo tempo em que nosso Brasil discute se a não divulgação dos casos de suicídio é resultado de determinação legal ou acordo de cavalheiros de jornalistas para evitar estimular os que têm tendências ao autoextermínio.

De minha parte, não tenho a menor dúvida há muito tempo. É uma discussão tão importante quanto àquela sobre quem nasceu primeiro – o ovo ou a galinha. O que importa é que uma pessoa se mata a cada 40 segundos no mundo e, pior, o estigma, o silêncio consentido faz com que só um pequeno número de países colete dados sobre dados sobre o fenômeno. Dos 194 países da OMS, apenas 60 mantém informações sobre o assunto. Trata-se de tema tão desconcertante que a organização vai lançar campanha para ajudar governos a desenhar programas de prevenção e reduzir a taxa em 10 por cento até 2020. Hoje – acredite – apenas 28 países pelo mundo têm estratégias nacionais de prevenção. O Brasil, em termos absolutos, é o oitavo país do mundo com maior número de casos, mas, em proporção ao tamanho da população, a taxa é inferior à média mundial. O problema é saber quem acredita em nossas pesquisas; afinal, por ser tabu, o assunto nunca foi tratado seriamente. A fonoaudióloga Janaína Passos de Paula defendeu recentemente dissertação de Mestrado na Faculdade de Medicina da UFMG sob o título “Perfil das tentativas de suicídio por intoxicações exógenas em Minas Gerais. Na verdade, ela queria conhecer era detalhes sobre as intoxicações provocadas por causas externas, como medicamentos e venenos, mas, ao se deparar com o fato de 54 por cento dos casos eram apontados como tentativa de suicídio, resolveu aprofundar-se no assunto. Descobriu coisas interessantes como o fato de que 70 por cento dos casos eram de mulheres e 29 por cento tinham entre 20 e 29 anos. Ela se limitou a verificar números, no entanto, ouso dizer que é gente muito nova, vítima da depressão, de um vazio enorme na alma e que muitas vezes sequer consegue ser ouvida.

Para Janaína, a identificação da predominância de certos perfis mais propensos à tentativa de suicídio é essencial para que órgãos públicos proponham medidas de prevenção direcionadas aos grupos de maior vulnerabilidade. Desde o dia 6 de junho deste ano, por meio de portaria do Ministério da Saúde, as tentativas de suicídio precisam ser notificadas, o que, para a pesquisadora, possibilitará aos governos dispor de estatísticas mais precisas sobre o assunto. Que bom que estamos acordando para a gravidade do assunto.

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