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Mais uma vez, os negros representam a maioria e têm taxa de encarceramento 18,4% maior que os brancos.

12/11/2014 às 10:00

Às vezes, você não se surpreende ao ouvir alguém dizer que nunca foi assaltado? E quando uma mãe lamenta que o filho saia de casa e ela não tem certeza de sua volta? Você fica meditando um pouco a respeito ou simplesmente inclui a fala no rol do descartável dentro da memória seletiva que a vida nos exige? Mais e mais fico me perguntando o quanto viver é uma permissão divina quando vejo, ouço e leio as notícias. Ontem mesmo fui procurado por uma senhora da cidade de Mário Campos que tem cinco filhos, quatro deles bem empregados e um que é exceção de toda regra: há 10 anos vive entre as ruas, drogado e o xadrez, para onde já foi levado sete vezes depois de furtar para manter o vício. E ela procura por internação, pede ajuda, e nada. O que ouve é desaprovação entre vizinhos; o que a machuca ainda mais.


É nesse quadro que recebemos o 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública com uma estatística que, lamentavelmente, não nos assusta: só no ano passado 53.646 pessoas foram mortas no Brasil. Foi o terceiro ano seguido de alta (coincidindo com Minas Gerais, que também viu a violência aumentar, recentemente). Taxas acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes são consideradas pela ONU (Organização das Nações Unidas) de violência em nível epidêmico e, no nosso caso, a taxa é mais que duas vezes e meia – 26,6%. Os Estados que mais se aproximaram da meta civilizada foram São Paulo e Santa Catarina, com taxa de 10,8 homicídios por cada 100 mil habitantes. A maior queda foi no Paraná, onde a taxa passou de 31,1, em 2012, para 24,5 para cada 100 mil habitantes. Já o Rio Grande do Norte teve a maior alta, mais que dobrando dos 12 para 24,3 por cada 100 mil. 


Mas, há um detalhe: com décadas de experiência na cobertura policial, tenho dificuldades para acreditar que esses números sejam os reais, considerando o tamanho do país, as carências de algumas regiões, a falta de capilaridade da polícia, da justiça e da saúde pública e o fato de que, muitas vezes, uma pessoa é ferida, internada e morre tempos depois sem o acompanhamento oficial para anotação do óbito.

Um bom exemplo é um jornalista, mineiro, amigo meu, ferido com um tiro desferido por um maluco e que, em consequência, ficou com os pulmões fracos e, anos depois, morreu brincando numa piscina de criança. Lá, no atestado de morte deve estar escrito afogamento. Além do mais, os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Norte estão na lista dos sete que têm dados considerados "pouco confiáveis" pelos pesquisadores.


O que importa é a gravidade do assunto. Ou o país faz um pacto pela vida ou estamos perdidos. Alagoas já tem índices similares a El Salvador e Honduras – países mais violentos do mundo. Ah, se pesquisarem para valer o número de assassinatos sem apuração o mundo vai ficar mais assustado. O que tem de mãe chorando a morte do filho sem saber que dia alguma testemunha vai depor numa delegacia é algo espantoso...

Outro dado que apresentou alta em 2013 foi o número de encarcerados. No Brasil, o total de presos atingiu 574.207 --27 mil a mais que ano anterior--, com destaque para o número de presos que ainda aguardam julgamento, que chegou 215.639, ou seja, 40,1% do total --contra 37,2% em 2012. Com isso, a relação presos/quantidade de vagas cresceu de 1,6 para 1,7.


Apesar de não recomendado, as delegacias ainda mantêm 36.237 pessoas detidas em pelo menos 14 Estados e Distrito Federal. Somente no Paraná são 10.450.


Mais uma vez, os negros representam a maioria e têm taxa de encarceramento 18,4% maior que os brancos.

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