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Somos racistas!

Aquela moça flagrada pelas câmeras gritando impropérios para o goleiro Aranha merece toda a reviravolta que aconteceu na própria vida e na dos familiares. Mas, vamos ser honestos, ela não está sozinha

03/09/2014 às 09:50

Definição mais usual de racismo: “É a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano; consiste em uma atitude depreciativa não baseada em critérios científicos em relação a algum grupo social ou étnico”. Quem de nós pode dizer em alto e bom som que nunca vivenciou uma experiência cabível dentro deste enorme guarda-chuva? Com outros adjetivos, tais como xenofobia, homofobia e preconceito o racismo está impregnado em nós, desde os primórdios da humanidade. O que, é senão racismo, o tratamento recebido por imigrantes como turcos na Alemanha, latinos na América do Norte, ciganos na Espanha e africanos na França? Quando, em São Paulo especialmente, chamam um nordestino de Paraíba é um elogio? Agora inventaram mais uma palavra chique, estrangeira, o “bullying”...

É só a gente dar uma conferida na história, se lembrar do nazismo e de tantas outras manifestações segundo as quais grupo de pessoas se julga superior a outros humanos. Durante um congresso de jornalismo anos atrás um poderoso chefão da Comunicação no país foi aplaudido quando disse não entender como um representante do Maranhão “estado menor que várias cidades de São Paulo”, presidia o Congresso Nacional. Um preconceito gratuito de um mal informado, considerando-se que o nosso Legislativo é composto de duas casas e, no Senado, cada Estado brasileiro tem três representantes exatamente para o equilíbrio da Federação. Por isso, temos de pensar em vários tipos de racismo, que incluem o individual, mas, também, institucional, cultural, primário, comunitário e até ambiental. 

Aquela moça flagrada pelas câmeras gritando impropérios para o goleiro Aranha merece toda a reviravolta que aconteceu na própria vida e na dos familiares. Mas, vamos ser honestos, ela não está sozinha. Quantas vezes, consciente ou não, cometemos faltas no trato aos irmãos? E, no caso brasileiro, é mais grave porque disfarçamos tudo com brincadeiras, fofocas... Se um colega tem orientação sexual diferente da nossa, pode ser o mais educado, prestativo e competente que vamos lembrar-nos dele sempre como “aquela bichona”, por exemplo. Francamente, achei ótima a repercussão dessa lambança porque é hora de dizer um basta. Com todas as letras!

E, considerando que nos falta educação, no sentido mais amplo, de escola, informação e solidariedade, para perceber o quanto somos pequenos individualmente e como um grupo pode nos reforçar, estou entre os que declaram tolerância zero a qualquer forma de racismo. Contando, é claro, com essa parafernália de câmeras e outras novidades tecnológicas porque, se dependesse do árbitro da partida – um negro – era mais fácil Aranha ser expulso do que desabafar diante de tão grave perturbação de seu trabalho.

Patrícia que tem a pele branca, mas, há uma semana, seu emocional oscila momentos de amarelo, vermelho, branco e, sobretudo, vazio. . . A gente aprende pela dor ou pelo amor. Ah, sempre é bom lembrar aos racistas e aos políticos arrogantes a frase estampada no Cemitério das Paineiras, na bela Araxá: “Tu és pó e ao pó voltarás”.

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