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Somos a geração “burnout”

Mergulhado na violência nossa de cada dia, passei parte da semana matutando sobre o tamanho da repercussão da queda de um avião, na França...

27/03/2015 às 11:59

Mergulhado na violência nossa de cada dia, passei parte da semana matutando sobre o tamanho da repercussão da queda de um avião, na França, entre nós, mineiros. Não que ignore a dor dos que se foram, ou dos que sofrem com a saudade.

O que me assombra sempre que há um acidente como aquele é a diferença de repercussão; por que, todos os dias, se contarmos entre vítimas de homicídios e trânsito, perdemos mais de 150 vidas em Belo Horizonte e nem ligamos? Alguém vai argumentar que o avião é mais glamoroso, outros dirão que seus passageiros são mais importantes na escala social e mil ponderações virão... Continuo sem entender.

Na quarta, entrevistei o advogado Rodolfo Dantas, e ele falou sobre a síndrome de “burnout”. Explicou que a palavra em língua inglesa quer dizer “que queima por fora” e retrata o quadro em que o trabalhador está exaurido pelo estresse. Tão pressionado, fazendo tudo correndo e com medo de errar, fracassar, chega ao ponto de explodir... E aí, valha-me Deus!

Dormi, na quarta, pensando nisso. Ontem, pela manhã, vi uma moça desesperada no caixa do banco. Disse que passara a noite chorando, que já não sabe que fazer porque a chefe não para de cobrar, exige produção (não que atenda bem aos clientes, mas, que venda seguro, plano de capitalização, qualquer coisa, que empurre no cliente e aumente o lucro) ameaçando transferi-la para outro lado da região metropolitana.

Mas, não tivera tempo o bastante para pensar na moça e nos nossos dias impossíveis e lá veio a notícia de que, possivelmente, o copiloto matou deliberadamente todos os que estavam no avião, na Europa, jogando o aparelho contra as pedras a 700 quilômetros por hora. E, dizem, ele podia estar sofrendo da síndrome de “burnout”. E passei o resto da quinta com fogo por dentro e por fora dos pensamentos: Depois dos atentados de Nova Iorque, arranjaram um jeito de ninguém entrar na cabine; agora, o piloto sai para um xixi e não consegue voltar, apesar de esmurrar a porta!

Enquanto os humanos não forem tratados como gente, não haverá lugar seguro; enquanto bancos, grandes empresas, governos, poderosos acharem que podem impor o desassossego em troca do lucro, não haverá confiança mútua... Ou, como disse o Papa, enquanto não houve justiça social, não haverá paz!

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