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Sofrimento também tem limite

Sofrimento também tem limite

06/05/2013 às 02:13

Há uma semana recebi e-mail de uma senhora pedindo ajuda para conseguir operar a filha, que nasceu sem ânus. Primeira inquietação: é possível isso? A mãe, Celi de Almeida Costa confirmou tudo e veio ao nosso encontro, acompanhada de uma irmã, com o anjinho no colo. Alice é morena, de olhos espertos, corpo miúdo e nenhum sorriso no semblante, talvez porque em um ano e meio de existência não lhe faltaram dores e desconfortos. Afinal, ela não tem o ânus e tudo o que seu organismo precisa expelir sai através de uma fístula anal... É evidente que a mãe, preventivamente, baseia a alimentação na amamentação e em líquidos, mas, ainda assim, toda vez que a menina precisa atender suas necessidades fisiológicas mais básicas é um sofrimento danado, que a irrita, a ponto de ela morder e agarrar a mãe. É triste ter que dizer aqui, caro leitor, mas, acredite, às vezes, o intestino expulsa o que precisa sair pela boca desse anjinho.

Desnecessário lembrar que as infecções são constantes, dada a proximidade da fístula com a vagina. Por conta de seu sufoco, da demora em se tomar uma providência, Alice já padece de outros males: os pulmões mostram-se frágeis, os rins começam a reclamar e ela não consegue atingir o peso e o tamanho ideais para uma garotinha de sua idade. O problema é que desde o nascimento a mãe percorre os corredores da Santa Casa – onde nasceu – e de postos de saúde, em busca da cirurgia que pode torná-la uma pessoa normal como seus outros três filhos.

Na última sexta, depois de me mostrá-la cheia de vida, a mãe teve de correr para uma Unidade de Pronto Atendimento em Neves onde a médica disse que devia tratar da menina em casa. Como o quadro só piorava, a mãe correu com Alice para outra UPA, no Barreiro, em Belo Horizonte, onde a internação foi imediata, com diagnóstico de pneumonia. Fomos juntos à Santa Casa cujo provedor, Saulo Coelho, ficou embasbacado com alguns fatos: o médico escreveu que não se tratava de caso de urgência, a próxima consulta estava marcada para agosto e, nas outras vezes em que esteve ali internada, a cirurgia sempre foi adiada sob a justificativa de que a menina não estava em condições ideais.

Agora, o provedor promete internar o anjinho, curar a pneumonia e manter Alice lá, sob cuidados médicos, até o dia em que a cirurgia seja possível. Decisão óbvia, que demorou muito por conta dos labirintos que separam os pobres da saúde pública.

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