Eduardo Costa

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Sobrou pra mim

Sobrou pra mim

06/05/2013 às 02:13

Mais uma vez os professores da rede estadual estão em greve e, por acreditar que a obrigação do jornalista é discuti-la, por estar convencido de que a Educação é o caminho mais curto entre nosso país e um futuro melhor e, principalmente, por me envergonhar diante da indiferença de boa parte da mídia em relação ao sufoco dos professores, tenho abordado a paralisação. Ouso dizer que não há outro profissional de rádio, jornal ou TV que a tenha repercutido tanto. Como no ano passado, assim que se delineou por sua deflagração levei a líder da categoria até os estúdios da Itatiaia quando ela explicitou a angústia dos profissionais e sua decisão de parar mais uma vez.

Ao contrário do que muita gente pensa -  já que a moda em Minas é dizer que a imprensa “toda” está vendida – não fui repreendido por seus superiores nem ouvi queixa do Governo contra a entrevista, mesmo com o fato de ela ter sido horas antes da paralisação. O que o Palácio da Liberdade pediu, dias depois, eu já havia prometido no ar e nem era o caso por tratar-se de princípio básico do jornalismo: o direito de resposta. Recebi então a secretária de Estado da Educação que deu as razões do governo para não negociar mais, após a deflagração da greve. Da mesma forma que a professora Beatriz Cerqueira, a secretária Ana Lúcia Gazola falou o que queria, com simples mediação, sem questionamentos, mesmo porque não tenho conhecimentos de detalhes  da máquina burocrática do Estado bem como das minudências que cercam cerca de 400 mil trabalhadores do ensino e sua relação com o patrão.

A entrevista com a secretária foi publicada no “Minas Gerais” e, a partir daí, recebi inúmeras manifestações, quase sempre de repúdio à fala da representante do Governo. Compreendo que a maioria das pessoas não sabe que, antes, ouvi o outro lado. Admito as críticas quanto à condução da conversa, mas o que dói é a insinuação de alguns professores de que foi um trabalho preparado pelo Governo e que o repórter se prestou a um desserviço dessa magnitude. Evidentemente que os autores das críticas mais injustas não são ouvintes contumazes, não conhecem o caráter e a prática cotidiana desse profissional, mas, ainda assim, como dói.

Outra coisa: acusem o governador Anastasia de qualquer coisa, mas não cometam a sandice de dizer que um dos mais profundos conhecedores da máquina pública desse estado utiliza-se de meios de comunicação para abafar movimento grevista. Perguntem aos deputados de oposição (que bom que finalmente existam!) se o atual governador não é diferente de príncipes que a gente conhece, se ele não respeita a diversidade. É compreensível a desilusão dos mestres, é aceitável sua cobrança por mais espaço, mas, por favor, mirem suas baterias para frentes verdadeiramente inimigas.

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