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Servidores públicos?

O grande Kafunga, que brilhou como comentarista esportivo pela bagagem e pela capacidade inigualável de falar a língua do povo, adorava repetir que, “no Brasil, o errado é que é o certo”.

25/03/2015 às 10:10

O grande Kafunga, que brilhou como comentarista esportivo pela bagagem e pela capacidade inigualável de falar a língua do povo, adorava repetir que, “no Brasil, o errado é que é o certo”. Que saudade do mestre! Tive o privilégio de conhecê-lo, e não fico 10 dias sem lembrar-se de uma das suas pérolas. Há outro jeito de explicar, sem as frases do Kafunga, o tratamento que alguns servidores públicos dão às demandas?

Nos últimos dias, ouvi duas inacreditáveis na Itatiaia. Primeiro, uma senhora reclamou que, ao requerer o seguro-desemprego, foi orientada a se inscrever num curso do Pronatec e, ao ponderar que já tinha curso superior, não necessitava, a moça disse simplesmente “leia a lei”. Pior que a reação da atendente, foi a entrevista do chefe dela, confirmando que há, sim, a exigência e que ninguém – em princípio – está livre do curso. Ora, a pessoa trabalhou, fez jus ao seguro, não é contumaz nas retiradas do benefício, não carece de qualificação, e deve ser obrigada a fazer um curso... Tomando o lugar de outro trabalhador realmente necessitado? Tudo depende, segundo o chefe, “da análise da servidora”. E do humor desta. Tem base?

Pior ainda foi a reação do assessor de imprensa da Polícia Rodoviária Federal quando questionado sobre a interdição de parte da Fernão Dias por mais de 30 horas no fim de semana. Disse que acidentes aconteceram, estão acontecendo, que o Brasil é um país rodoviário, tragédias virão... Sobre a atitude desesperada dos motoristas, que arrancaram na unha e pela força das correntes as barras de ferro e concreto do canteiro central para fugir do abandono, ele condenou, afirmando que põe em risco a segurança de terceiros e deles mesmo.

É brincadeira. O cidadão paga quase a metade do que consegue ganhar (com salário) de impostos, paga pedágio e, diante de qualquer imprevisto, fica na rua dois dias, no meio do nada, sem higiene pessoal, alimentação, segurança, conforto, respeito, atenção... Para as autoridades, não há o que fazer. Não é possível buscar um trator ou qualquer coisa grande e arrastar o empecilho, não é possível colocar um guarda quilômetros antes para avisar o desvio... Nada! E, provavelmente, quando lerem essas irritadas linhas, os “responsáveis”, da PRF, do DNIT, da Auto Via, da Polícia Militar, dos governos federal e estadual ainda vão ficar bravos comigo... “O errado é que é o certo!”.

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