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Semana dos parques

Semana dos parques

Na semana a elas dedicada, as crianças querem mesmo é brincar. Boa parte das escolas tem esses próximos dias destinados ao recesso. A grande maioria dos inocentes tem sequer com cota de clube ou casa acolhedora de avó para passear; então, é correr para os parques públicos.

Neles, há um abandono visível. Vejamos os exemplos dos três locais mais visitados. No Jardim Zoológico, o sentimento dos visitantes é o de que os bichos estão em jaulas mal conservadas, carentes de reformas, além do que nas ruas e acessos há concreto quebrado, asfalto já vencido e o verde mal tratado pela seca. Sem falar em alguns procedimentos os quais a gente não entende como o caso de uma menina que foi atropelada lá dentro e os que a socorreram não encontraram profissional ou qualquer material de urgência dentro do zôo.

No Parque das Mangabeiras, o acidente com o um ônibus recentemente é a prova inequívoca de descaso, que deverá ser punido ao cabo de investigação porque o prefeito sabe bem do quanto estivemos perto de uma tragédia.

E, finalmente, o Parque Municipal. Domingo passado fui lá caminhar pela manhã para confirmar o que já previa: a retirada das árvores não fez mal nenhum à beleza, ao ar puro e ao astral elevado que aquele ambiente nos oferece. Então, por que esperamos uma mulher morrer, esmagada por uma enorme árvore? Isto sem falar no que o grande público não ficou sabendo – poucos dias antes, um exemplar ainda maior da nossa flora, tombou no meio da principal alameda. Eu sei que não é fácil administrar uma cidade com tantos problemas como Belo Horizonte.

Por isso mesmo, temos de ajudar o prefeito, botando a boca no trombone e apontando as falhas para que ajustes sejam feitos, sobretudo em espaços utilizados pela maioria, carente, numa cidade naturalmente excludente. Lá mesmo, no parque, vi algo que é próprio do tratamento aos humildes.

Naquela manhã ensolarada de domingo, pai, mãe e dois filhinhos caminhavam quando, de repente, o menino, de aproximadamente quatro anos, viu o trenzinho e gritou “oba”. A irmãzinha, de uns dois anos, iniciou a travessia da rua em direção a uma das grandes atrações do parque sem ouvir o pai ponderando que ainda não era hora de circular... Para confirmar, o pai dirigiu-se ao rapaz que estava sentado ao volante do trenzinho, perguntando se já estava fazendo o passeio tradicional. O rapaz continuou lendo o jornal e respondeu apenas que iria demorar. O pai perguntou o preço do ingresso e ele, impassível, respondeu: “Dois reais!” Continuei minha caminha para não me irritar, estragar meu domingo e fazer a seguinte pergunta ao jovem prestador de serviços: “ô bacana, será que você poderia pelo menos olhar para o cidadão que paga seu salário, garante seu jornal e sua marmita?”