Eduardo Costa

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Sem controle, a casa cai

29/11/2021 às 02:36

Imagine que você é casado, tem esposa e duas filhas. Seu salário é de classe média, quer dizer, não sobra, mas, para o básico, vai labutando. Com muito esforço, já conseguiu até comprar um apartamento – pequeno, é verdade – pelo Sistema Financeiro da Habitação. A mulher também ajuda nas despesas com salário um pouco menor.

As duas filhas são, como ocorre em todas as famílias, bem diferentes: Joana é centrada, e só pede algo depois de fazer contas e esperar o momento oportuno. Sabe que os pais não tiveram aumento de salário nos últimos anos e a tal da inflação não dá folga. Já Mariana, desprovida de preocupações financeiras. Quer gastar. Se vai ao shopping para comprar um shortinho e descobre que chegou maquiagem nova, extrapola. No mundo dela, o cartão de crédito é um papel que substitui dinheiro.

Ou você se une com a mulher e controla Mariana ou o barco vai sair do rumo. As contas não vão bater, a bola de neve das dívidas vai assombrar suas noites, sua mulher estará mais irritada, o lar será desestruturado. E, quando não houver mais jeito, Joana, a filha que só ajuda, vai pagar. Não é papo de educador financeiro, é conversa de pai pra pai.

Na verdade, é conversa de repórter para chefe de família no sentido de mostrar a importância de uma reforma administrativa no país.

Joana é o contribuinte. Mariana as contas públicas. Você é o governo, sua mulher o Congresso Nacional.

Se você não planejar e contar com o apoio de sua mulher para cortar os gastos, conforme o bom senso e a necessidade, Mariana vai te quebrar. E Joana vai pagar a conta.

O presidente da Câmara (a mulher) acaba de dizer que, por falta de maior empenho do governo (você) a reforma administrativa não será votada esse ano. E, como em 22 tem eleição, claro que não virá. Joana (o brasileiro), a filha boa, que só gasta o que pode, paga tudo que deve, vai continuar sem entender como o país (o lar) nunca tem equilíbrio entre o que é receita e despesa. Também não vai entender como, nas horas difíceis, você vai dar um calote nos amigos velhinhos (PEC dos Precatórios).

Não sei sobre seu lar, mas, Brasília continua parecendo casa da mãe Joana, onde todo mundo fala e ninguém tem razão; e, quando há impasse, que se dane o interesse de Joanas e Marianas. Afinal, “farinha pouco, meu pirão primeiro”

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