Eduardo Costa

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Sangue na boca

Sangue na boca

06/05/2013 às 02:13

Você já pensou no que significa ficar um dia preso, limitado a seis metros quadrados e com direito a apenas uma ou duas horas de sol, a olhar as paredes e esperar o dia seguinte? Consegue se colocar no lugar de alguém que passa um mês no meio de estranhos, pessoas perigosas, e sem direito a reclamação? Agora, pense comigo: ficar ali, na Nelson Hungria, longe do mundo, por dois anos e oito meses, ou 960 dias? E se, além desse período já cumprido, você for comunicado de que ficará por mais três anos sem liberdade? São reflexões que faço para discutir um aspecto do julgamento do goleiro Bruno. Sei que o assunto já lotou nossa paciência, mas, a revolta das pessoas diante da pena é tão inquietante que não pude fugir ao tema. Vejam: Bruno levou 22 anos e três meses de prisão. As pessoas acham pouco. Quando as contas são feitas e a gente conclui que ele ficará mais três anos no cárcere, nove em cada dez mineiros saem do sério. Falam em impunidade, falta de respeito com Elisa, poder do réu, e mais, mais... Gente, por mais planejada e cruelmente executada a vítima, Bruno não pode ser considerado tecnicamente um bandido – pessoa que vive de assaltos, um malfeitor reincidente em atividades ilegais. O goleiro é um criminoso, ou seja, pessoa que cometeu um crime e tem de pagar por ele. É fundamental saber essa diferença e entender que, ao criminoso, àquela pessoa que errou e merece uma chance de reintegração à sociedade, a lei garante alguns benefícios que são chamados de progressão do regime, de forma a ir diminuindo a pena e o tempo de encarceramento. Importante lembrar que não temos vagas suficientes nos presídios para os bandidos, quanto mais os criminosos. Não sou fã de Bruno e nem perdoo a maldade dele e dos amigos. Mas, ele está financeira, emocional e socialmente acabado. E, ainda que volte a jogar futebol (o que considero absolutamente normal, porque todo cidadão deve ter direito a retomar sua carreira depois de pagar pelo crime), ainda que ganhe dinheiro, ele está definitivamente marcado. Se for jogar em um time profissional, ouvirá as torcidas rivais gritarem em coro no Mineirão “assassino, assassino”.  Impressiona-me o fato de que um famoso fez algo errado, foi preso, continuou preso por três anos, foi julgado, continuará preso por mais três anos e a gente ainda reclame, achando que é pouco.

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