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Sai de baixo!

Os estragos provocados pela enxurrada na Avenida Vilarinho, semana passada, trouxeram de volta as notícias de todo ano:

02/11/2015 às 12:19

Os estragos provocados pela enxurrada na Avenida Vilarinho, semana passada, trouxeram de volta as notícias de todo ano: gente indignada perdendo seus bens, vidas em risco, ruas que mais parecem lagos, imagens assustadoras e discursos vazios, passageiros. Sempre acontece assim. Quando chove mais forte, os estragos são imediatos, aparece um ou outro político mais esperto, chama uma “audiência pública”, ganha holofotes, os órgãos públicos repetem as promessas, nos embrulham com projetos e metas e a gente comemora a volta do sol – o mesmo que iremos amaldiçoar se a chuva sumir por muito tempo.

É duro ter que aguentar tanta imprevidência! Durante décadas, o terror era o Arrudas. De tanto ir a Brasília e falar sobre a necessidade de obras no mais famoso ribeirão da cidade, Maurício Campos, prefeito na virada das décadas de 70 e 80 propiciou um equívoco histórico. Dizem que o General Figueiredo discutia a eleição nos Estados com o poderoso ministro Mário Andrezza e, quando Minas entrou na pauta, o presidente da República foi lembrado do Arrudas. Teria dito algo do tipo “conversa com esse moço, vê o que ele quer, resolva isto”. Maurício pediu tanto que as obras saíram e aí foi seu sucessor, Hélio Garcia, que levou os louros. Outro prefeito diferente que Belo Horizonte teve foi Patrus Ananias cuja vocação para conversar com as lideranças mais humildes resultou no programa Vila Viva, que acabou com as áreas de risco nos aglomerados e com a rotina de tragédias nos morros no período de chuvas.

Assim, as mortes se concentraram em ruas e avenidas; afinal, Belo Horizonte está fincada sobre 700 quilômetros de córregos, encaixotados de forma contrária ao bom senso durante décadas. Mais e mais a cidade se impermeabiliza, com prédios, concreto e asfalto... Isto combinado com a nossa má educação, nossos hábitos nada civilizados de jogar tudo que não presta na rua – até porque a rua é pública e na nossa cabeça o que é público não é de ninguém – e temos esse quadro de caos toda vez que chove um pouco mais. O pior é que essa é a tendência: menos chuvas e, quando vierem, serão pancadas fortes. Como as obras de contenção ficam na promessa, a educação continua longe de nossas comunidades, nos resta colocar placas nas partes baixas da cidade avisando que, ao menor sinal de rua, todos devem se mandar. De repente, a gente bem que poderia aprovar um projeto na nossa combativa Câmara Municipal estabelecendo palavras de ordem para emergências: se for retirada de escoramentos em viadutos o grito é “sai de baixo!”, mas, se vier a chuva, a frase é “sai do baixo!”. Já sugeri uma vez e o faço com gosto de novo: considerando o bordão do radialista Acyr Antão bem que poderíamos contratá-lo para, quando as nuvens se mostrarem ameaçadoras, gritar do alto da Serra do Curral: “Ennchennteeeee”. 

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